Enquanto em Portugal o casamento dos homossexuais se anuncia como uma inevitabilidade que não vai causar polémicas especiais (espero), oito mulheres e um homem foram este fim-de-semana condenados à morte por apedrejamento, no Irão. Elas, acusadas de prostituição, adultério e incesto; ele, de ‘práticas sexuais ilícitas’. As notícias sobre apedrejamentos e fuzilamentos por ‘motivos sexuais’ (adultério ou relações homossexuais), na Arábia Saudita ou na Palestina, no Sudão ou no Irão, acumulam-se umas sobre as outras até se banalizarem. Muitos dos que defendem ‘causas fracturantes’ na Europa (onde é fácil), abstêm-se de condenar as tiranias do Médio Oriente onde se mata com determinação por causa de um beijo roubado. Suspeito que estão à espera de, mais tarde ou mais cedo, encontrar um motivo para condenar Israel.

13 comentários:
De francisco a 22 de Julho de 2008 às 12:12
Creio que se trata apenas de um fenómeno europeu de pura esquizofrenia que se manifesta de modo particularmente agudo em Portugal. É esse o grande problema da esquerda populista.
De Gonçalo Soares a 22 de Julho de 2008 às 16:11
É um tipo especial de esquizofrenia. Chama-se "esquerdofrenia".
De Cátia a 22 de Julho de 2008 às 12:41
Esse tipo de comparação é semelhante à comparação entre insegurança em Portugal e insegurança no Iraque ou no Darfur. Já repararam que tanta gente fala da insegurança em Poretugal, reajindo como se fosse o pior mal do mundo quando há um silêncio geral relativamente aos conflitos no Darfur?
Li algures sobre esse tipo de comportamento de exagerar-se quanto a aspectos menos relevantes e relativizar-se sobre problemas mais agudos, mas já não me recordo bemdo que li. Sei que era feita referência ao papel do mass media, à maneira como dramatizam aspectos com menor relevância.
Eu cá tanto condeno a falta de igualdade que casais homossexuais têm face a casais heterossexuais, assim como condeno as «tirania do Médio Oriente. Embora dê mais atenção ao homossexuais, são as «tiranias» do Médio Oriente que mais magoam cá dentro.
É que relativamente aos problemas que os homossexuais enfrentam em Portugal posso dar o meu contributo enquanto cidadã portuguesa, já quanto às «tiranias» do Médio Oriente, que posso eu fazer?
Poderia associar-me a uma ONG, tipo amnistia internacional? Por enquanto não, primeiro tenho de pensar na minha formação, hoje em dia sem formação não podemos aspirar a mais do que um trabalho no balcão de um café ou a lavar escadas e essa posição não nos dá «poder» para ir para além da cidadania nacional.
Concordo plenamente. Já agora, linkei este post num post do meu blogue, achei conveniente avisar.
De Olhe que não... e que sim... e não... a 22 de Julho de 2008 às 14:20
Seria muito vulgar ou primário comentar o disparo do soldado israelita sobre o prisioneiro vendado?
É que, ao antever ou proteger-se de um possível ataque, há que assumir com completa coragem as fraquezas de quem defende.
Acredito que Israel não tem escolha, tem de ser militarmente severa, estar muitos passos à frente dos agressores, ser ardilosa, ter no ataque a sua melhor defesa. Mas... isso tem remissão moral?
No epicentro histórico dos valores morais, ou religiosos, há um estado de gravidade zero? De impunidade? Imunidade? Legitimidade?
Parece-me demasiado.
De henedina a 22 de Julho de 2008 às 15:58
O erro está em distinguir homem/mulher, palestiniano/israelista, por motivos sexuais/ou outros motivos, em Portugal/ou Darfur, etc. Uma atitude correcta é correcta aqui ou ali, feita por mim ou por si. E esta incapacidade de nos pormos no lugar do outro que pensamos diferente de nós é que nos leva a juízos precipitados, cobardias e injustiças alicerçadas em preconceitos, por vezes expressos, por vezes tão escondidos que nem nós nos apercebemos deles.
A moral é o "que é costume" deve ser por isso que para o Irão matar "por adúlterio" é moral, porque por lá... é costume.
( :) sempre disse que se um homem me enganasse o matava. Às tantas sou do Irão e não sei!)
De Soraia Chaves a 22 de Julho de 2008 às 16:34
Desculpem lá, que nojeira de mundo.
Agora vamos ter de gramar a exibição pública das pulsões sexuais desviantes entre os pinga amor do mesmo sexo!
Iachachach :( :(
Não se pode dizer, não é? Mas eu digo.
Que isto é mais um sinal da decadência global que atravessamos.
E da falta de coragem para SER (embora pareça o contrário).
De What, what, what? a 22 de Julho de 2008 às 19:11
Ó simpática, desviante? Desviando do quê? Onde é que está definida a normalidade?
Eu sou hetero e a única afinidade que tenho com o meu género é que uma parte importante gosta de mulheres bonitas, como eu, ponto final nas afinidades. Se a outra parte anda de mão dada, entre si, e o faz publicamente, em que é que isso atenta ao pudor?, mais do que uma exibição pública de um macho e uma fêmea?
Decadência global?????
E a homofobia é o quê? É a harmonia afinada?
Tem medo, cruzes, de ser aspergida com líquidos seminais?
Temos opiniões bem diferente sobre o que faz do mundo uma nojeira, oh, se temos...
Luís Pis Pis
De Rui Pedro a 22 de Julho de 2008 às 17:27
O Francisco faz frequentemente o que condena nos outros. Neste caso, a comparaçao de crimes, a relativização de uns porque há outros piores.
De
FJV a 22 de Julho de 2008 às 20:38
Onde????
De Pedro Lérias a 22 de Julho de 2008 às 22:26
Caro Francisco,
Voltou amargo do Brasil. Os seus últimos posts são negativos, lançam ataques generalistas, distribuem estaladas, lançam provocações.
Mostram muitos dos vícios - facilitismo, ataques para a esquerda e para a direita - de muitos comentadores portugueses.
Não se torne mais um, por favor.
E não é de todo fácil defender causas fracturantes em Portugal, ao contrário do que sugere.
De who let the dogs out? a 23 de Julho de 2008 às 03:48
E quem lhe disse que os homossexuais não se preocupam com o que acontece no Irão? Por que é que isso os há-de impedir de lutarem pelos mesmos direitos dos demais concidadãos? Por que é que mistura alhos com bugalhos? Por que é que o preconceito é sempre cego e falacioso? Some sort of middle age crisis?
De OLP a 23 de Julho de 2008 às 09:56
Soltando os cães não se pode ler direito e então temos estas i "interpretações filológicas" do texto
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