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por FJV, em 25.06.06
||| Feira do Livro.








Muitos editores se lamentam de que a Feira do Livro correu mal – que foi a pior dos últimos trinta anos. O lamento é um exercício fácil, comovente e barato. Também se lamentam pelo absurdo e inexplicável facto de decorrerem muitos «eventos» durante o período da Feira, coisa que afastou leitores e desmotivou a imprensa, preocupada com outros acontecimentos (outro absurdo). Finalmente, lamentam-se pela quebra de vendas, o facto que realmente interessa. Nada de perder a esperança. Há soluções para tudo:
1) proibir a realização de campeonatos do mundo de futebol, bem como de festivais SuperBock/SuperRock ou Rock-in-Rio e seja lá o que for (ópera no S. Carlos, Sopranos na tv, festival de churros & farturas, centros comerciais, farmácias) que possa concorrer com a Feira do Livro, estando dessa maneira garantida a ida à Feira de cidadãos que não têm mais nada para fazer;
2) fazer com que a Entidade Reguladora da Comunicação Social possa punir devidamente os jornais e as televisões que não repitam o discurso sobre a beleza que é a Feira do Livro, sobre o encantamento provocado pelo ajuntamento de livros nas barraquinhas e estendais e, até, sobre a «poesia autêntica» que é a leitura e etc.;
3) exigir que o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica proceda a alterações no regime climático habitual durante a Feira, proibindo vagas de calor ou aparições despropositadas de chuva e, até, empurrando o início do Verão para um mês mais tarde -- nada que não se possa fazer;
4) se esta foi a pior feira em trinta anos, isso deve-se, evidentemente, aos compradores de livros, que devem ser admoestados pelas autoridades competentes, pois não devem frequentar as outras 231 feiras e operações de saldo de livros que acontecem ao longo do ano, nem, até, ir a livrarias comprar livros que, eventualmente, queiram comprar (uma vez que a Feira tem de manter o seu nível de negócio, coisa incompatível com mudanças de hábitos dos cidadãos);
5) censurar os textos de opinião de comentadores obnóxios que referem coisas desmobilizadoras e atrevidas como o facto de se publicarem cerca de vinte livros por dia, ou mais -- coisa que não deve ser tida em conta quando se fala na percentagem de livros não «despachados» durante a Feira.

Assim se consertará a Feira, e os editores não precisarão de pensar, imaginar ou organizar-se para que a Feira venha a ser diferente. Está salva a Feira.

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12 comentários

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De I a 01.07.2006 às 17:55

sarcástica tirada , muito bem apanhada.é isso mesmo : a culpa é sempre de terceiros.
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De Vasco David a 26.06.2006 às 23:40

A promoção que a APEL (não) fez à Feira do Livro deste ano, em Lisboa e no Porto, poderia certamente ter sido melhor. O layout destas feiras, há muitos anos debatido e sempre com uma decisão adiada, poderia ter sido revisto. Os 400.000 euros que a APEL encaixou com a inscrição dos pavilhões poderiam ter sido usados de um modo visível e pertinente. Podia, podia, podia...

Mas convém relembrar todos os que se possam preocupar com esta questão de que os resultados destas feiras têm vindo consistentemente a decrescer, ano após ano, nos últimos cinco anos. E que fazem os editores para contrariar esta tendência? Nada! Assim é difícil. E se à APEL podem ser imputadas muitas culpas, convém não esquecer que este organismo é dos editores e dos livreiros, feito por eles e para eles, e por si constituído. Em lugar do queixume convém fazer qualquer coisa que abane com esta medonha monotonia.
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De João Villalobos a 26.06.2006 às 10:27

Ah, ah, ah! Eu proponho também uma medida de visita obrigatória a cada residente na cidade, com gasto mínimo de 100€ per capita.
E todos terão de parar em cada mesinha e pedir autógrafos aos autores, em livros comprados na feira. ;)
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De magnuspetrus a 26.06.2006 às 09:54

Caso os seguintes pontos venham a ser propostos para decreto-lei, podem desde já contar com o meu parecer positivo.
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De Fernando Rogério a 25.06.2006 às 23:28

e que tal um decreto-lei: do dia tantos de tantos ao dia tantos de tantos do ano de tantos, todos os cidadões - residentes ou turistas - que estiverem dentro das fronteiras das cidades lusas onde se realize a feira do livro são obrigadas a visitar o evento, pelo menos uma vez. No mínimo, deverão adquirir (comprar!) um prospecto. Quem não cumprir os termos deste decreto, sujeita a coima (coima?)...
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De José Carlos Abrantes a 25.06.2006 às 21:02

O mmeu contributo para se entender o que se passou este ano. Enviei em 7 de Junho, Não tive qualquer resposta.

Caro Director da APEL

Venho por este meio agradecer a disponibilidade da APEL para o lançamento que ontem, dia 6, teve lugar no Foyer da Feira do Livro, às 18h 30, Ecrãs em Mudança, editado pela Livros Horizonte e pelo CIMJ, livro que organizei. Os apresentadores foram a dra Tânia Morais Soares, a Dra Maria Emília Brederode Santos e o Prof Paquete de Oliveira.

Venho, por outro lado, manifestar a minha profunda desilusão pelo local em que o livro foi apresentado. Quando cheguei à Feira do Livro fui ao café-restaurante do piso superior e pensei que seria nessa esplêndida paisagem que os apresentadores e assistentes iriam poder estar juntos uns momentos. Mas não. Havia um espaço previsto sem vista, sem mobiliário adequado aos tempos de hoje, sem condições, em meu entender, para apresentar um livro no ano de 2006. O contraste da modernidade do espaço de cima (restaurante) e do espaço de baixo (apresentação de livros) deixa-me perplexo quando ao modo como a APEL entende a aproximação aos públicos, sobretudo os mais jovens e os mais exigentes na apreciação estética dos lugares onde passam momentos da sua vida. São também os pequenos detalhes que nos aproximam e afastam dos livros. Incluindo o olhar sobre a cidade, o olhar sobre os objectos que apropriamos nem que seja de modo provisório e fugaz na apresentação de um livro.
"Como em todos os negócios, a crise também se sente no mundo dos livros." sublinha hoje o Jornal de Letras, citando declarações de António Baptista Lopes. Tem toda a razão. Mas não poderiam os editores contribuir para a debelar tomando decisões mais atractivas para os públicos que querem cativar?

Melhores cumprimentos

José Carlos Abrantes
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De M em Campanhã a 25.06.2006 às 19:31

este ano também só fui uma vez, e a correr, à feira do Porto. nos últimos anos tenho tentado ir à feira em dias em que haja um bom programa no café literário, precisando para isso de programar a minha vida com antecedência.

uma das razões pela qual este ano só fui uma vez, e "às cegas", foi o facto de o programa só muito tardiamente (a meio da feira) estar disponível on-line no site da APEL.
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De katraponga a 25.06.2006 às 18:36

Este ano não fui à Feira do Livro do Porto, o que só tinha acontecido antes quando cá não vivia. Ano após ano, os livros que estão nas bancas das editoras são quase todos os mesmos, há mesmo editoras que devem resumir o seu trabalho a empacotar todo o material não vendido para o expôr de novo no ano seguinte. Algumas editoras nem sequer se apresentaram como expositores, como a Cavalo de Ferro. Os descontos praticados nos "livros do dia" e afins não chamam a atenção a ninguém... compreendo que queiram dinamizar um negócio, e crescer, mas para isso é preciso visão e trabalho. Se se cai na lógica do lucro fácil, mais vale chamarem-lhe Feira do Mono.
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De Extratexto a 25.06.2006 às 16:33

Confesso que gostei.

Não que dê elementos sérios e importantes para se poder definir uma Feira do Livro mais «satisfatória», mas porque anula muitos dos motivos absurdos que têm sido ditos a despropósito.

A Extratexto tem vindo a discutir estes assuntos mesmo antes de começar a Feira e ainda continua...
Vamos inclusive programar uma semana inteira só para falar desta temática, séria, e gostaríamos que o FJV, como programador e envolvido no processo, pudesse contribuir com a sua opinião (positiva, agora) de elementos a melhorar.
Abraço,
NSL
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De Luis Eme a 25.06.2006 às 15:43

Penso que as obras afastaram algumas pessoas; as dificuldades económicas, que chegam a quase todos os lares também afastaram bastantes pessoas (talvez o factor mais importante... há muito desemprego e precaridade de vida na Capital e arredores); e por último, a falta de entusiasmo com que era relatada diariamente nas televisões, rádios e jornais. Sempre a destacaram a ausência de pessoas...
O facto mais curioso que descobri na feira, foi ver sua sumidade José Saramago sem ter ninguém para dar autógrafos - como deve ter estranhado não ter as filas habituais... - este sim é um sinal de crise, não é senhor Saramago?

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