Sexta-feira, 11.04.08

O presidente da República acha que há uma “obsessão” das empresas “sobre o contínuo rejuvenescimento dos seus trabalhadores”. A declaração merece ser retida – e aplaudida. Na verdade, não se trata apenas das empresas, em sentido geral. A ideia de “juventude” transfigura toda a gente mas ainda ninguém teve a coragem de dizer o óbvio, e o óbvio é isto: à juventude falta idade, bom-senso e muito conhecimento e experiência. A “ideologia da juventude”, ensinada desde cedo e difundida como se fosse uma obrigação inevitável, tem conduzido a erros de perspectiva pouco saudáveis. A sociedade portuguesa corre o risco de se transformar num jardim de infância onde nunca se passa da adolescência, enquanto se escondem os velhos e se desvaloriza a sua palavra. Daqui a alguns anos voltaremos à Idade Média, onde a esperança média de vida andava pelos 40 anos; a partir dessa altura devemos desaparecer por decreto para dar lugar a bandos de adolescentes decorados de piercings.

[Da coluna do Correio da Manhã.]


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4 comentários:
De bloom a 11 de Abril de 2008 às 08:57
Quarentões de todo o mundo, uni-vos!


De pepe a 11 de Abril de 2008 às 09:53
Já agora, e por ser no blogue de quem é, lembro a quantidade de prémios literários com limite máximo de idade dos participantes. Até as revelações literárias têm prazo de validade, é natural.


De joaoh a 11 de Abril de 2008 às 14:05
Se a taxa de desemprego entre os jovens fosse baixa seria um bom ponto a explorar pelo PR, aliás um dos que mais contribuiu para o estado presente, não admira que agora não levante muito a voz, quando o sistema é herdado das suas "visões"; Aos jovens falta conhecimento, experiência, bom-senso, não só por responsabilidade própria, mas porque aos adultos não lhes convêm passarem o que sabem e quando passam é na sua maioria apoiados em paternalismo e ou autoritarismo; Aos verdadeiros problemas deste país gostaríamos sim de ver acção e não só "bocas", vulgo corrupção, justiça fraca perante os fortes e vice-versa, burocracia, educação desenquadrada


De rxc a 12 de Abril de 2008 às 11:19
"Pretende-se jovem dinâmico e empreendedor, até aos 30 anos, para vaga em ...". O que diríamos se a caracterização fosse, não sobre a idade, mas sobre a sua raça, credo, orientação sexual, cor de olhos, etc. Aí levantaria-se o Carmo e a Trindade, que estavam a ser discriminatórios. Esta sociedade parece ter-se esquecido que os jovens não o são eternamente e que, se defende e muito bem contra discriminações de raça e afins, também deveria defender contra discriminações de idade. É que o jovem que hoje tem o emprego por esse facto, vai ser o homem de meia idade que amanhã estará no desemprego por já não o ser.
A menos que queiramos construir uma sociedade apenas para alguns...


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