Domingo, 13.01.08
Como se esperava, a reacção teria de ser essa. Na altura dos acontecimentos da Covilhã escrevi uma crónica sobre Pedro e o Lobo. A vaga de designações era a mesma de sempre: ditadura, fascismo, censura e perseguições. E olha por quem, na maior parte das vezes. Quando chegam outras ameaças mais sérias (a «qualidade» da democracia, a ameaça aos direitos individuais, a fúria legislativa e regulamentar, a coligação entre os interesses do Estado e os interesses das grandes corporações), a ideia é que «isso são protestos da classe média». Não é caso para dizer «pobre país», evidentemente. Mas é caso para relembrar que a liberdade não existe sem liberais, ou seja, sem pessoas que prezem a liberdade. Ou seja, quando é a sério, ninguém liga. Mas o mais grave nem é isso. É estarem a adormecer cada vez mais pessoas, e ao mesmo tempo.

FJV


5 comentários:
De António P. a 13 de Janeiro de 2008 às 22:42
Não podia estar mais de acordo.
Pena também que esses liberais ( existirão ) deixem o campo aberto ao PCP e seus compagnons de route o campo aberto para as tonterias do "Fascismo, nunca mais"
Boa noite


De Andreu Vallès a 14 de Janeiro de 2008 às 01:30
Sabes que todos temos a boca cheia de liberdade. Ouves dizer muitas vezes que a liberdade é um valor essencial e todos se acusam de querer tirar a liberdade uns aos outros. Até os grandes crápulas e tiranos da história disseram muitas vezes que defendiam a liberdade. Podes perguntar-te por que raio de razão é a liberdade tão importante. Não poderíamos todos lutar pela felicidade? Ou pelas conquilhas, já agora? Mas repara bem: com liberdade, podes decidir a tua felicidade. Sem liberdade, há outros que sabem bem melhor como te fazer feliz. A liberdade não é só um aspecto formal da vida. É a capacidade de te refazeres todos os dias e de te prenderes ao que queres, de perderes a tua liberdade pelo que te interessa e pelo realmente queres. A liberdade é o crédito com que nasces e gastas ao longo da vida. Que valha a pena. Luta por ela. Está sempre em perigo, porque para muitos, que têm muita liberdade na boca, o que interessa é a perfeição, é não verem a liberdade suja e incómoda dos outros à sua porta. A limpeza, a beleza, a felicidade. Esses são os deuses dessoutros que não querem a tua liberdade. Defende-te.


De ViriatoFCastro a 14 de Janeiro de 2008 às 07:24
O melhor soporífero de todos alguma vez instilado: taxas de juro e empréstimos à habitação. Ninguém tem tempo para se preocupar com mais nada. Este é o sono de uma vida pequena que ocupa os dias grandes de uma vida maior que de nós arredaram.


De António de Almeida a 14 de Janeiro de 2008 às 10:22
-Passei ontem á tarde no Freeport em Alcochete, e sendo um ex-fumador, pude verificar que é permitido fumar no café da praça central, piso 0, nos lugares sentados. Ao balcão não será permitido.


De filinto a 14 de Janeiro de 2008 às 10:49
Tenho ouvido e lido que essa falta de liberais, de amantes da liberdade, é quase uma inevitabilidade portuguesa, o que me incomoda, porque parece-me que os primeiros a querer acabar com os liberais são os que decretam a sua inexistência. O FJV muito bem aborda a questão e não é definitivo, lança o alerta e não decreta a morte das nossas liberdades. É isso. E a fábula está muito bem aplicada - naquele texto que não conhecia.


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