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por FJV, em 08.02.07
||| Necessidades elementares.









O Presidente da República assinala a «necessidade de legislação e procedimentos administrativos claros, não só sobre o tabagismo, mas no combate ao consumo excessivo de álcool, obesidade e estilos de vida sedentários». Percebe-se o que está em causa, diminuir o consumo de álcool entre miúdos ou nas estradas, fomentar caminhadas nos jardins e bosques, tudo isso. O mayor de Nova Iorque também quer uma cidade mais saudável e proibiu o tabaco, o colesterol e os fritos, prometendo combater a obesidade, o foie gras e o bacalhau salgado (no restaurante de Bourdain & Meireles). Já em outros locais, a vontade de uma vida saudável leva a outros excessos. Nunca sei o que é melhor. Se a liberdade, se o comando da nossa saúde por políticos que elegemos. A saúde pública é um domínio vasto que frequentemente entra nos caminhos da moral & dos costumes. Os queijos com alto teor de gordura serão perseguidos, da Serra da Estrela a São Jorge e ao Pico. Um dia haverá fiscais vigiando o teor de sal no bacalhau. As casas de família irão, com o tempo, transformar-se em antros de pecado – aí podemos comer pastéis de massa tenra, pataniscas, bacalao al pil pil, feijoadas e compotas preparadas com açúcar em vez de adoçante (havendo até quem fume um charuto no final, mais perigoso do que uma erva simplória, muito bem admitida socialmente). Um dia, mais tarde, entrarão em nossa casa e desaprovarão as migas gatas de bacalhau ou o feijão no forno. Na escola, os institutos da saúde perguntarão subtilmente às crianças se os pais têm por hábito comer fritos e barrar o pão com manteiga, essa substância perigosa. Justificarão. Justificarão sempre. Querem o nosso bem. Nunca sei o que é melhor.

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