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por FJV, em 09.07.06
||| Cervejas.












Intervalo na literatura, intervalo no intervalo. Chama-se 99 Cervejas + 1. Ou como não morrer de sede no Inferno, edição da Esfera dos Livros.

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11 comentários

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De Ernesto a 14.07.2006 às 16:10

quanto às cervejas, prefiro provar em vez de folhear.
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De Dentinho Afiado a 14.07.2006 às 08:20

A isso é que se chama leitura para férias
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De João Mãos de Tesoura a 12.07.2006 às 22:31

Este livro deve ler-se em três tragos! :D
Já agora, reabri um blogue que não é mais do que uma estória escrita por quem queira. Gostava que lá escrevesses um post se tiveres paciência.
www.oenigma.blogspot.com
Abraço
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De hlevy a 11.07.2006 às 20:59

vem mesmo a calhar!!! este ano foi declarado, por mim e pela minha melhor amiga, o 'ano da bohemia e da tosta de frango' e o aniversário dela está a aproximar-se. espero que já esteja á venda...
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De katraponga a 10.07.2006 às 20:39

Ora aí está um verdadeiro brinde ao lado festivo das coisas. Não lhe chamaria a cereja no topo do bolo, antes a espuma no topo do copo.
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De Arrebenta a 10.07.2006 às 20:35

O Enterro da... "Coisa"


Com a presença da Mentirosa, que nos governa, mais do lastro que ela conseguiu, embora "in extremis", eleger para Belém, o Futebol foi a enterrar.

Gostei de ver os polícias, em serviço, -- muitos deles licenciados que não arranjaram mais postos de trabalho -- a saltarem das suas poses de buldogue, para irem pedir o autógrafo do "X" aos gajos do chuto.
Porque eles vinham todos engravatados, e, à distância, até pareciam os escravos em série do Millennium-BCP, tão bem retratados no "Psicopata Americano", do Easton Ellis. O problema começava com os "zooms", quando, de repente, apareciam todos os defeitos de séculos de mestiçagem, o álcool das famílias e o rasto da má-alimentação.

De qualquer maneira, estava ali todo um projecto cultural, uma radiografia etnográfica, um diagnóstico psicológico, um soluço social, uma radiosa promessa de futuro: Portugal acompanhava à campa a ùnica coisa em que tinha apostado toda as suas energias, durante dois infindáveis meses. Como costuma dizer o padre, unidos para a vida e para a morte. Íamos a enterrar, mas moralmente vencedores, como já nos aconteceu, inúmeras vezes, no terceiro, e último período da nossa já longa História: uma primeira épica, da Reconquista; uma segunda, da Expansão, também conhecida pelo Tempo-da-Rã-que-quis-ser-Boi, como diziam os Integralistas Lusitanos, e o próprio Camões deixou, na forma de lamento e suspeita; e a Terceira, a do Entrevadinho, do ai-jesus, do sebastianismo do virão-dias-melhores.

E eu, ali sentadinho, a fazer crochet, diante do écran plasma, só me vinha à ideia que, como eu, havia mais dez milhões de papalvos, também sentados, a fazerem crochet físico e mental, e a acompanharem aquela derradeira marcha, que terminava nos Campos Elísios do Estádio Nacional, a relembrar as fontes salazaristas do... Fenómeno: o Eusébio, a descer do avião, o tarso da Amália, trazido num sacrário de vidro, a Senhora de Fátima, toda embrulhada em suplementos do "Expresso", para não se partir -- há-de vir o dia em que, com tantas viagens de acompanhamento da Selecção, o serviço de bagagens venha dizer, com ar pesaroso, que aquilo se converteu num monte de cacos, mas que podem enviar uma reclamação à administração, para pedir uma devolução, em dinheiro...
Enfim, nos Campos Elísios, mostravam as câmaras, até havia mulheres, "gaijas", como eles dizem, que, entretanto, mercê do amadurecimento nacional, já começaram a perceber que aquilo é mais um espaço para, as que ainda o não têm, caçar marido, e as que o já têm, impedir que eles vão depois às putas, que estas coisas andam sempre para a par.

Também me lembrei da Dona Lurdes e do Mariano Gago: filhos, deixai-vos de aleivosias, e apostai antes no que está a dar: cada jovem, em idade de construção, não tem mais nada do que aquilo na cabeça, substituir os pontapés na avó por uns quantos chutos na bola, sucesso rápido, mercê de pavonear um aspecto físico que ele, e as câmaras, acham incomparável, -- neste país já fomos todos toureiros, somos agora todos futebolistas e modelos, e o problema da Estética, a duvidar, desde Baumgarten, está ali todo resolvido, no garbo de alguns pares de pernas curvas e canejas, e numa mãozada de gel, a cuspir no chão -- arranjar depois uma "barbie", para mostrar que se não tem... enfim... defeito, mas uma "barbie" igual à dos outros, claro, para se mostrar que também se é como o outro -- ah, a lógica da protecção de grupo, como já estava tudo nos estudos do comportamento animal!... -- e demonstrar, a quem entende do assunto, que o protótipo da líbido deles não vai além de uma coisa parecida com a Cinha Jardim, uma andaluza, mas nascida no Bairro do Zambujal, descolorada, e no sentido do louro, para parecer uma nórdica, e em cabeleireiros bem mais caros, e já apta para desempenhar a função do "buraco", ou seja, de baliza, depois da meia-noite, quando têm tempo para lá ir, durante os célebres dois minutos. Tudo o resto contarão como "penalties", e sempre por fora.
A partir daí, como dizia o Baudelaire, serão só luxos, calma e volúpia, altos carros, altas gajas, brutas vivendas, altas vidas e meio neurónio. O sonho de cada Português é, afinal, tornar-se igual àquela dúzia de suburbanos, e o resto são cantigas, choques tecnológicos, investimentos virtuais e pseudo-reformas de 500 irrecuperáveis anos de atraso.

Ao lado deste cortejo todo, seguiam dois dos meus ídolos, Sócrates e Cavaco, o primeiro, a representar a miséria presente, o segundo, a testemunhar a miséria passada. Salazar sonhara com um país sepulcral de monumentos e gentes servis, a calcorrearem longas estradas estreitas, calcetadas com paralelipípedos de basalto e granito; estes sonharam com uma enorme Marginal, mal betuminada, com umas quantas cargas de betão à volta, e um enorme descampado -- até Espanha -- nas traseiras.
Mais grave do que tudo isto, é que eu estou para aqui a ladrar estas evidências, e também já perdi 15 minutos do meu tempo, que até são equivalentes aos dois meses em que esta porcaria ainda parou mais do que já estava parada: e, enquanto nós nos entretivémos nisto, todos os países, que andaram fora deste disparate, nos ganharam mais dois meses de avanço, e, no que a mim respeita, algures, num país civilizado, diante de um computador, eventualmente idêntico ao meu, alguém também me terá descaradamente passado, com um sorriso, malandro, 15 minutos à frente.

Acontece.
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De JOINCANTO a 10.07.2006 às 17:35

A "Selecção" não é assim tão boa! Digo eu...
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De Paulo José Miranda a 10.07.2006 às 17:01

Olha, Parabéns!
Mais uma grande malha.

E isso encontra-se aqui numa livraria perto de mim, assim a uma esquina da Paulista?

Gosto muito de textos específicos acerca de paixões confessas.
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De Milton a 10.07.2006 às 14:25

Esta tua fixação me perturba. E agora em livro!
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De Sérgio Aires a 10.07.2006 às 02:09

Estavamos a pedi-las! Obrigado!

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