Quinta-feira, 01.11.07
||| Obrigado por cada linha.
Há uma coisa que interessa neste post, para além da estratégia de «querer conversa»; é o título: «Na massa do sangue». Compreendam. Primeiro, ele quer conversa. Depois, ele sabe que «está-lhes na massa do sangue». Que sangue é esse? O dos judeus. De vez em quando é gente que tem sangue e, talvez por isso «[os judeus]acabaram por dar motivos para serem expulsos», primeiro de Espanha e, depois, de Portugal. Convenhamos: «foi o que eles [os judeus] fizeram em todos os países que os receberam durante a sua história de milénios», justamente, «dar motivos para serem expulsos». Usar o «eles» é uma boa estratégia: há «os judeus», «os pretos», «os católicos», «os brasileiros», «os tugas», «os paneleiros», mas sobretudo «eles». Diz-se «eles» e fica o problema resolvido. A massa do sangue é uma coisa bonita de se achar, sobretudo nos outros.
Por isso, obrigado por cada linha deste post. Há coisas que são assim mesmo. Abjectas ou apenas assim, como são. Não interessam os erros históricos e as manigâncias de estilo; o propósito é o de os apontar a dedo. Eles. Nós. Eles. Eu. Cada um.
[FJV]

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FJV
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21 comentários:
De AV a 5 de Novembro de 2007 às 20:58
O post do Arroja é anormalmente estúpido.
Mesmo para ele.


De samuel a 5 de Novembro de 2007 às 13:04
Pedro Arroja não será um nick de algum partido neo-nazi a precisar de tempo de antena? Se é, está a conseguir...


De Caiano Silvestre a 2 de Novembro de 2007 às 10:19
Obrigado.


De Pedro Delgado Alves a 1 de Novembro de 2007 às 19:00
Escrevi um post sobre o anti-semitismo de Pedro Arroja que parece ter picado o autor e os seus fãs das caixas de comentários. Sobre mim, milhares de mimos: miúdo, anormal, extra-terrestre, maluquinho, jacobino, ignorante, cão-raivoso, e, o meu favorito, da autoria de um dos frequentadores dos comentários, a ideia de que só serviria para abate (provavelmente sou como aqueles judeus que fizeram por merecer ser expulsos deste cantinho da Ibéria). O próprio Arroja retoma hoje a temática, insistindo na sua habilidade para mudar fraldas quando eu ainda não andava por cá para as usar. Contudo, para desmentir o anti-semitismo do autor ou para tentar apontar outra vez uma tese de eventual equívoco e de errada compreensão dos seus escritos, nem uma só palavra apareceu.
Pela leitura dos comentários que se fizeram aos posts do Portugal Contemporâneo, eu serei seguramente analfabeto, mas aparentemente ninguém me fez o favor de explicar em que é que li mal o que Pedro Arroja escreveu. O mal não estará no que foi escrito e mal compreendido: eu é que não percebo a razão que o autor tem, nem compreendo o quão indigno é acusá-lo de comportamentos odiosos. Sou mesmo acusado de tentativa de assassinato de carácter, quando manifestamente aquilo com que deparamos é com um suicídio de carácter bem sucedido por parte de Pedro Arroja.
Um leitor no meu blog disse num comentário que não devíamos dar-lhe o prazer de chocar e de provacar terceiros. Já afirmei aqui em tempos que, de facto, ignorar e não dar tempo de antena a estes fenómenos é o melhor remédio na maioria dos casos. Contudo, disse também que quando a intensidade dos barbarismos tem exposição pública e atinge proporções como as que estamos a assistir, não podemos deixar de reagir em repúdio e com veemência, precisamente na linha do que aqui disse josé gomes andré num comentário. Para já, mantenho a mesma linha.


De timshel a 1 de Novembro de 2007 às 18:53
Caro f anónimo (perfil não disponível)

O seu comentário é extremamente interessante.

Com efeito, ele poderia ter sido escrito pelo autor deste blogue, pelo Pedro Arroja ou por qualquer outro (neo)liberal da nossa praça.

Se acha que pode tirar daí alguma conclusão, tire-a.

Um abraço


De cadeiradopoder a 1 de Novembro de 2007 às 17:51
Quando se pensava que no mundo ocidental já não se tinha de ouvir alarvidades xenófobas deste género, eis que de repente aparece alguém a colocar-nos em sentido contra a estupidez. Bom texto.


De F a 1 de Novembro de 2007 às 17:32
Caro Timshel,
há um pequeno senão no seu comentário; eu não sou «neo-liberal». Sou liberal.
Abraço


De José Gomes André a 1 de Novembro de 2007 às 17:26
Há uma maneira errada de lidar com os argumentos de Pedro Arroja: considerá-lo louco e desprezá-lo. Incorreríamos na mesma falta de respeito que o senhor tem por nós.

Creio que o FJV optou pela estratégia correcta: denunciar as falácias dos seus argumentos e mostrar como o seu discurso está repleto destes pequenos truques oratórios e de manobras rasteiras como o recurso ao "eles" e a outras convicções infundadas para sustentar e justificar o insustentável.

Pedro Arroja é o grande demagogo do nosso tempo. Olhemo-lo com um sorriso, mas não deixemos de denunciar o lamaçal intelectual no qual vegeta.

Bem Pelo Contrário (http://bempelocontrario.blogspot.com/)


De CAA a 1 de Novembro de 2007 às 17:14
Luís Bonifácio,

Está a misturar brinacadeiras com coisas muito sérias.


De Luís Bonifácio a 1 de Novembro de 2007 às 17:07
Os incompetentes necessitam sempre de um bode expiatório para mascarar a sua ignorância.

Serve sempre o que está mais à mão, Judeus, Pretos e demais estrangeiros, etc.

O curioso é que se substituirmos o termo "Judeus" pelo termo "Sulistas" temos um discurso muito em voga a norte do Mondego.


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