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Um país adolescente.

por FJV, em 09.02.18

Coisas impopulares. Parece haver uma disputa no Parlamento acerca de uma proposta de lei do CDS para a criminalização do abandono voluntário de idosos, à qual a esquerda atribui propósitos perigosos, desde “uma profunda desumanidade” (a lei, não o abandono) até “hipocrisia”, passando por outros ditirambos da ordem. Basicamente, não se pode criminalizar quem abandona os idosos (as pessoas que antes conhecíamos por velhos) em hospitais, nas ruas ou em lares ilegais porque essa atitude, certamente malvada, se deve ao facto de as famílias não terem condições para albergá-los em suas casas. É compreensível e muito atendível. No entanto, dada a facilidade com que o mesmo parlamento aprovou idêntica lei acerca do abandono de animais, causa estranheza o tom da resposta dos partidos de esquerda. Se a lei proposta pelo CDS é iníqua e castigadora, o que propõem então as madamas e os cavalheiros, agora que estão na flor da idade? Que haja políticas sociais. Muito bem. Portanto, tudo certo que se abandonem os nossos velhos desde que haja políticas sociais num país cada vez mais adolescente.

[Da coluna no CM]

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Um lugar de onde não se excluem os que vivem com os outros.

por FJV, em 09.02.18

O que se passa na interessante (sem ironia) cabeça da hierarquia da igreja que, vivendo uma grande crise – relacionada com sexo –, vem recomendar abstinência sexual aos casais católicos recasados? A frase é comprida, mas está correta. E evoca o papa João Paulo II, o inspirador da diretiva. É certo que ela diz respeito apenas aos católicos e não aos que vivem fora desse círculo de giz que se apaga com bastante frequência – mas, num pontificado gerido por um cardeal “moderno”, “progressista” e “sorridente” (três tentações juntas), é interessante ver como a igreja aceita a missão de ser uma fábrica de pecados e contravenções que não têm a ver com a sua dimensão religiosa. Esta é a igreja moderna que também quer gerir a vida sexual dos seus crentes. Mais: a que aceita o infeliz jugo de apreciar o modo como os fieis vivem a sua vida íntima, em vez de iluminar a forma como interpretam a perpetuam a fé. Bento XVI, um homem mal querido, continua a escrever sobre essa lâmina poderosa que é a sua fé: fala da Casa onde se entra. Esse lugar de onde não se excluem os que vivem com os outros.

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