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Ben Lerner, o ódio à poesia.

por FJV, em 18.09.17

Pode-se odiar a poesia? Pode. Ben Lerner, um dos mais jovens poetas americanos (nasceu em 1979, no Kansas) escreveu um livro com esse título, Ódio à Poesia (Elsinore, magnífica tradução de Daniel Jonas); uma das ideias que sobrevoa o livro é a de que o “ataque à poesia” chega, grande parte das vezes, dos próprios poetas e dos críticos de poesia, como “uma lógica amarga” – a que muitos “críticos culturais” (uma amálgama heteróclita e palavrosa) emprestam o seu “contentamento macabro”. Ben Lerner inventaria algumas das “mais recentes e notáveis choradeiras”, geralmente embrulhadas na exigência de uma “poesia para os outros”, destinada “a ser comunicada” e “percebida”. Esse desejo de comunicação aniquila a poesia em si mesma, transformando-a em letrismo (por exemplo, na voga da slam poetry, uma das várias fraudes muito populares hoje em dia); Lerner advoga uma espécie de silêncio contra a “universalidade” da poesia e a influência da “cultura popular” – isso faz deste livro uma pérola. A poesia vale também pela sua resistência ao ruído. Pelo seu silêncio.

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Harry Dean Stanton Band.

por FJV, em 18.09.17

Quantos descobriram a ‘Canción Mixteca’ (de José López Alavez, no início do século XX) através da versão de Ry Cooder, em Paris, Texas (1984), o filme de Wim Wenders? Bastantes. E do rosto de Harry Dean Stanton, a estrela discreta e, em simultâneo, poderosa, interpretando aquele papel abandonado de Travis ? Quase todos. A sua carreira foi toda ela feita de papéis secundários – os grandes pilares do cinema, os coadjuvantes indispensáveis, as estrelas distantes sem as quais não brilham as outras. Mas Stanton nunca teve razões de queixa: ele era assim: secundário, coadjuvante, de poucas palavras, escolhido por realizadores como Coppola, Ridley Scott, John Carpenter, David Lynch, Sean Penn ou Scorsese. Não há rosto “americano” tão pouco “americano” no cinema. Recomendo que o vejam também num western improvável, Duelo no Missouri (de 1976), ao lado de Marlon Brando e Jack Nicholson – e escutem a Harry Dean Stanton Band, para perceber essa mistura de blues, rock e música texana. Morreu na sexta-feira aos 91 anos (nasceu em 1926), um fumador inveterado e um rosto como não há mais.

[Da coluna do CM]

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