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Portugueses na Venezuela.

por FJV, em 08.08.17

Por motivos, digamos “literários”, colecionei histórias de emigração portuguesa um pouco por toda a parte – e do tempo em que não havia Skype, nem internet, nem voos acessíveis. Em quase todo o lado havia histórias de heróis. Em todos os continentes. De vencedores e derrotados, de luz e de sombra, de glória e de perda. Na Venezuela conheci gente que se espalhou de Caracas (no belo bairro da Candelaria) às cidades do petróleo, das ilhas à penumbra dos Andes, do Orinoco a Maracaibo – quase todos tinham sobrevivido às adversidades. Penso neles como heróis: no imobiliário e na construção, nos restaurantes e no comércio, no ensino e na agricultura. Guardo da comunidade portuguesa da Venezuela uma impressão amável e malandra, de gente ambiciosa e grata – o Centro Português de Caracas, obra coletiva, é a prova. Talvez um dia, quando a literatura ou o cinema portugueses quiserem fazer o retrato dos seus contemporâneos, eles possam figurar nessas páginas e nessas imagens como heróis discretos que defrontaram o país que os empurrou para a emigração e a terra que lhes está a ser tão amarga.

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O mundo moderno e a falência das pessoas normais.

por FJV, em 08.08.17

O mundo comoveu-se com o relato de Lamar Odom, estrela da NBA, basquetebolista de eleição, grande talento (sem ironia: esteve nos Lakers, nos Clippers, nos New York Knicks e nos Dallas Mavericks), ex-cônjuge de uma Kardashian, e, portanto, milionário e consumidor de drogas. O desfile de explicações vem da infância, naturalmente: marijuana num bairro pobre, vítima e algoz, pobre e sonhador, cocaína entre sexo e adultério, bebida e fama – e mais cocaína ainda. Parece que Lamar bateu no fundo, entrou em coma, despertou, viu os filhos (finalmente) e se arrependeu de ser um idiota, publicando um texto mais ou menos comovente. A internet e as televisões choraram e aplaudiram. Acontece que percursos como os de Lamar Odom com a cocaína são comuns; em quase todos eles, os imbecis transformam-se em heróis depois de confessarem ser imbecis. Infelizmente, as pessoas que não se drogam, não casam com uma Kardashian, não são milionários, não publicam fotos parvas no Instagram ou não abandonam os filhos são consideradas gente sem grande interesse e exemplos para ninguém. Nisto estamos.

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