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Retenção, Freud explica, 2.

por FJV, em 07.07.17

Volto ao assunto de ontem, o anúncio de que “nunca se chumbou tão pouco em Portugal”, ideia bastante pândega, cheia de afecto e beijinhos – e, como já vimos, falsa. Os jornais de ontem deram uma grande ajuda à operação de “sucesso escolar” em curso (que Deus a proteja), noticiando que havia alunos a passar de ano com quatro ou cinco negativas. Tamanha generosidade merece aplauso. Já sabíamos que o ministro da Educação achava – sufocando de razão – que os chumbos são “ineficazes, caros, punitivos e segregadores”. Ou seja, totalmente antidemocráticos e inimigos das estatísticas e dos focus group. Daí que, aproveitando um despacho onde se lê que “a decisão de transição para o ano de escolaridade seguinte reveste caráter pedagógico, sendo a retenção considerada excepcional”, houve instruções para que muitos professores subissem as notas negativas e impedissem o flagelo “excecional” das retenções, porque somos todos amigos dos adolescentes dos 8.º, 10.º e 11.º anos. Ou seja, que se fizesse trapaça, uma coisa que agora é também despenalizada, porque fica mais agradável nas estatísticas.

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