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Retenção, Freud explica.

por FJV, em 06.07.17

As hostes rejubilam porque – afiançam, em bicos de pés – nunca se chumbou tão pouco em Portugal (vem no JN e no Público), ou seja nunca houve tão poucas retenções, em linguagem politicamente abençoada. “Milagre!”, rejubilam os crentes, comovidos, atirando beijinhos ao ministro Tiago Rodrigues – e evitando mencionar que os dados dizem respeito ao ano letivo de 2015-2016. “Melhor ainda!”, respondem: em apenas seis meses de governo, o novo ministério conseguiu espalhar sapiência, dedicação e inteligência a rodos pelas escolas – e evitar o banho de retenções que o obscurantismo tinha fornecido em abundância, subindo as notas em geral. É evidente que esta celebração não se comove com o facto de “as retenções” terem vindo a descer nos últimos quinze anos, como mostram as estatísticas. Este aproveitamento político, no pior sentido do termo, não é grave pelos motivos mais básicos (por exemplo, atribuindo ao novo ministério a capacidade mediúnica de melhorar o rendimento escolar) – mas porque festeja “menos retenções” como um valor absoluto e, portanto, falseável. É tempo de festa, vá.

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