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Para além de Fátima.

por FJV, em 03.05.17

A vinda do papa a Fátima alimenta uma compreensível mas perigosa indústria: a da sua popularidade. Se não acreditamos na ação do Espírito Santo, pode ser um caso de conversão no limite: ateus ou anticlericais convictos sentem-se subitamente iluminados pela insuspeita “obra do papa” (escolhendo as frases que lhes agradam); fidelíssimos de João Paulo II transitam do polaco para o argentino com o mesmo entusiasmo, como se Bento XVI não tivesse existido. Em resumo: foram desde o início do ano, entre nós, publicados 34 livros sobre a sua augusta figura (além da tolerância de ponto), como ‘pop star’ capaz de frases que satisfazem todos os gostos – mas com pouca referência a Deus. A única coisa que me fascina em Fátima é a multidão. E, na ausência dela, a solidão extrema diante da desolação (o betão de Fátima é a prova da imensa capacidade da igreja de hoje para ignorar a beleza). Estive lá nas duas circunstâncias. Comove-me a multidão em recolhimento, cada peregrino na sua solidão; não compreender esta solidão é não entender que Deus só se encontra no deserto, de onde nunca se regressa.

 

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Plano quinquenal facultativo.

por FJV, em 03.05.17

Foram recentemente apresentadas as linhas gerais do novo Plano Nacional de Leitura, agora com piscadelas de olho “ao digital” – e tanto a experiente e apaixonante Teresa Calçada, que foi responsável pelas bibliotecas escolares e agora dirigirá o PNL, como o primeiro-ministro, teceram loas aos maravilhosos benefícios que a leitura prodigaliza. Quem não os conhece, nem que seja por ouvir dizer? Lamento discordar no que diz respeito à leitura como porta aberta para “a cidadania inclusiva” (não tem nada a ver) e lamento não ser muito otimista acerca do futuro, tal como ele está a ser preparado. A leitura será – infelizmente – uma das chamadas “práticas minoritárias”. Não pode concorrer com “o digital”, nem com as séries de televisão ou com o hip-hop das novas gerações. Nas regras que São Bento escreveu para a sua ordem, no século VI, contava-se a “obrigação de ler”. Não o “direito à leitura” mas a “obrigação”, física e moral – para não cair na “acédia”, ou seja, na dispersão e no desinteresse. Foi também isso que permitiu que “o livro” sobrevivesse até hoje, se me faço entender.

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