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Natal, está bem.

por FJV, em 23.12.16

O mundo dos mercados reduziu o Natal à “festa da família”, tremendo à ideia de explicar a origem da data e substituindo a figura de Jesus pela de um Pai Natal finlandês que foi emagrecendo a conselho dos nutricionistas. “Festa da família” já não é mau e foi, aliás, um recurso dos católicos para não afrontar o laicismo crescente – e alargar a celebração a não praticantes. Inteligente. Hoje, o Natal é uma herança da “nossa cultura”, que lhe associa (erradamente) o Hannukah judaico e o solstício de Inverno do nosso hemisfério, uma espécie de reconciliação com os outros. Proponho que a música ultrapasse a questão: ouvir a Oratória de Natal de Bach (BWV 248) pode ser longo e fastidioso mas, como não sabemos alemão, mesmo os não cristãos podem escutar algumas passagens, se não quiserem ouvir a celebração de Camille Saint-Säens, o concerto n.º 8 de Corelli (um prodígio), a ‘Infância de Cristo’, de Berlioz, ou a bela Missa de Natal, de Marc-Antoine Charpentier. Ouvir música é, nestes tempos, resistir à ameaça da barbárie, o que bem precisamos. Seja, portanto, bom Natal.

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