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Cesariny, 10 anos.

por FJV, em 25.11.16

Amanhã – preparemo-nos com tão pouca antecedência – passam dez anos sobre a morte de Mário Cesariny (1923-2006). “Como assim Mário como assim Cesariny como assim ó meu deus de Vasconcelos?”, escrevia num poema dedicado a Artaud e publicado em Pena Capital (de 1957). Poeta – um dos maiores da nossa língua de hoje –, pintor, figura central do surrealismo e da suas derivas, vagabundo, flor de ironia, Cesariny foi recuperado do silêncio por Manuel Hermínio Monteiro, que lhe reeditou a obra (um maravilhoso corpo de fantasmas) na década de 80. Sim, foi marginalizado por ser homossexual, mas sobretudo por ser homem livre. Dez anos. Ficam os poemas: “Entre nós e as palavras há metal fundente/ entre nós e as palavras há hélices que andam/ e podem dar-nos morte violar-nos tirar/ do mais fundo de nós o mais útil segredo/ entre nós e as palavras há perfis ardentes/ espaços cheios de gente de costas/ altas flores venenosas portas por abrir/ e escadas e ponteiros e crianças sentadas/ à espera do seu tempo e do seu precipício.” Tudo fica entre nós e as palavras, Mário. Não há ausência.

[Da coluna do CM]

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