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Like a rolling stone

por FJV, em 14.10.16


O livro que Dylan escreveu (‘Tarântula’, publicado em 2007 pela Quási) não é grande coisa e não foi a sua existência que levou a academia a atribuir-lhe o Nobel. Foi, sim, "a sua poesia" e talvez o seu nome (nasceu Robert Zimmerman; Dylan é uma homenagem ao poeta Dylan Thomas). 

Desde ‘Highway 61 Revisited’ e  ‘Blonde on Blonde’ (1965) que os poemas de Bob Dylan seguiam um percurso literário, um desejo de ultrapassar a contingência das canções pop e do seu modelo tradicional. Os anos 70 começaram com dois discos belíssimos e poemas notáveis, os de ‘New Morning’ e ‘Pat Garrett & Billy the Kid’, até chegarem ‘Blood on the Tracks’, ‘Desire’ e ‘Slow Train Coming’, em meados da década. 

Os textos dos últimos discos eram belos, profundos, intensos, um desfiladeiro por onde circulava alguma da sua melhor poesia, como em ‘Modern Times’ (2006) ou em ‘Tempest’ (2012). Dava para ganhar o Nobel? Não é surpreendente. Dylan e Leonard Cohen são grandes poetas. Cohen é melhor; mas Dylan é pop e, pelos critérios, não é assustador para ninguém com ouvido. É merecido? As decisões da academia não têm de ser transparentes (é até desejável que não sejam). Para mim, desde que irritem "o estabelecimento", – e as suas vaidades –, é um grande favor que me fazem. Like a rolling stone.

[Na coluna do CM]

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