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Paridade pura e simples.

por FJV, em 22.08.16

O Governo quer uma sociedade mais “inclusiva” (nada mais irritante do que o recurso permanente à coisa “inclusiva”) e, com esse fito, pretende impor quotas mínimas de mulheres em instituições públicas e privadas (porque o Estado quer mandar em tudo e impor “o bem” em toda a parte), administrações, bolsa, etc. Não sei se as nomeações para a administração pública também seguem esse princípio, mas deviam, tal como as chefias dos sindicatos, o mandarinato da banca ou as repartições de finanças. Deixo o aviso: as mulheres são tão incompetentes como os homens, por isso não tenho nada a obstar. Mas há uma coisa que me incomoda quando as autoridades são tão lestas a mandar nos outros – é que geralmente não cumprem: o Governo tem 13 ministros e 4 ministras; 26 secretários de estado e 15 secretárias de estado; a administração da Caixa, que o Governo espatifou, tinha 18 homens e uma mulher. Alguém que mostre isto a Ban Ki-Moon, o secretário-geral da ONU (que quer ver uma mulher a suceder-lhe no cargo, contra a opinião do Governo português, que, misógino como é, prefere um homem).

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Em defesa do burquíni, ou de como a devassidão chega por onde menos se espera.

por FJV, em 22.08.16

Admito a tese de que se trata de um instrumento de opressão das mulheres pelo Islão, mas, pessoalmente, gosto do burquíni. Lamento informar, mas também gosto dos velhos e saudosos maillots, fato de banho feminino de uma só peça. Sou um tarado. Posso imaginar a curiosidade que existia, logo a seguir à II Guerra (quando o suíço Louis Rénard inventou o biquíni), acerca do corpo feminino e, sobretudo, do de Brigitte Bardot. Mas o mundo mudou. Roland Barthes teorizou, muito apropriadamente, sobre a «fenda erótica» – a intermitência, o espaço entre a revelação e a ocultação, a pequena suspeita –, que invoco em minha defesa, até porque Barthes era insuspeito de devassidão heterossexual. Hoje, quando qualquer dama posa nua para as gazetas (até a mulher de Donald Trump), o burquíni, humedecido pela água salgada das praias, escondendo as divinas imperfeições mas suscitando a imaginação e os seus maravilhosos pecados, intensifica a dimensão erótica do verão – assim o saibamos receber sem deixar que os imãs mais hirsutos e as escolas de jurisprudência islâmica suspeitem que o aprecio desta forma lasciva.

[Da coluna do CM]

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