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Emigração, diáspora, a pequena pátria.

por FJV, em 23.06.16

Vai uma grande azáfama no “debate esquerda-direita” sobre as declarações de António Costa acerca da possibilidade de os professores de português ganharem a vida lá fora – tal como houve escândalo (somos bons nisso) quando Passos Coelho lembrou as oportunidades da livre circulação de pessoas na UE. Há quem, de voz tonitruante, invoque a pátria, a família, o torrão natal, a sardinha assada, o almoço de domingo e até o “direito ao futuro” (uma invenção de duvidosa legitimidade) para protestar contra estes “apelos à emigração”. Na verdade, fomos sempre um povo de emigrantes – se há alguém a quem se empreste com certa justiça a designação de “diáspora” é aos portugueses, que se têm espalhado pelo mundo com certo sucesso (e supõe-se com grande gozo) desde há cinco séculos. Contradizendo o folclore apatetado das televisões que acompanhavam ao aeroporto cada português que partia para Londres com a promessa de um emprego bem pago, a verdade é que não há alma que não anseie as promessas do que sempre fizemos ao longo da nossa história: partir, aprender, melhorar, misturar-nos, às vezes voltar. O resto é a pequena pátria.

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