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Optimismo.

por FJV, em 14.06.16

Tenho dúvidas substanciais sobre o discurso do Presidente da República no 10 de junho – não acerca do “povo” (uma designação hoje irrisória, confundida ora com os “eleitores”, ora com o “público”, e sempre considerada nas sondagens), mas acerca da autocrítica do Presidente quando critica as “elites” de que faz parte, como um entusiasta ocupado a valorizar as nossas qualidades, a apelar ao “otimismo”, a deixar um sorriso em todos nós (como acontece e também era preciso) – e, no fundo, a tratar o “povo” como fonte de todas as virtudes (idêntica tese sobre a “genialidade do povo” tinha Franco Nogueira) e que resistiu ao conde Andeiro e a Miguel de Vasconcelos, os “traidores” que a História arrumou no campo dos maus (a nobreza e o clero), para facilitar as coisas. Um Presidente populista? Não. Um Presidente que quer ser popular – ligado “às pessoas”, capaz de suscitar entusiasmo e euforia, mesmo quando exorbita e nos declara os melhores do mundo, do pastel de nata ao golo de trivela. Temo que o Presidente corra o risco de, a breve prazo, cansar mesmo os otimistas mais profissionais. Mas eu sou pessimista.

 

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