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Marilyn.

por FJV, em 01.06.16

Como seria ela hoje? Os seus olhos. O seu riso. O busto, claro. As suas curvas. A leviandade maravilhosa. O fragmento de seda. Poderíamos continuar, eu poderia continuar, a enumerar qualidades e delírios sugeridos por Marilyn Monroe, que hoje festejaria 90 anos (morreu em 1962). «Tive um arrepio», disse Billy Wilder sobre o momento em que a conheceu: «Ela tinha qualquer coisa que eu não via desde o cinema mudo.» Todos nós – homens, mulheres – suspeitamos do que se trata: um choque, um espanto, uma surpresa diante de tudo aquilo. Não, não vale a pena desvalorizar a sua beleza, nem a sua falsa e comedida inocência, nem as várias tragédias que interpretou na sua vida privada, em tão forte contraste com a frivolidade dos papéis no cinema. Marilyn há de ser sempre uma das figuras centrais da nossa mitologia, a memória fotográfica de um século em desaparecimento constante. Há pouco revi Clash by Night, de Fritz Lang: já me tinha esquecido de como aquela inocência fora, mesmo, inocência. E antecâmara da tragédia. 90 anos, imaginem. Escusam de fingir que vos é indiferente.

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Raduan Nassar

por FJV, em 01.06.16

Densidade, clausura, minúcia, celebração, libertação – lembro-me disto a propósito de Lavoura Arcaica (1975), de Raduan Nassar, e da impressão que o livro me deixou na altura, contando a história de um homem que recusa o fechamento da vida rural. Um Copo de Cólera (também na Relógio d’Água), que Nassar publica dois anos depois, em 1978 (aos 43 anos), mostra a outra face da sua escrita, a busca de uma modernidade ousada e libertária, numa história de desamor conturbada – e que continua nos cinco contos de Menina a Caminho (Cotovia), o terceiro e derradeiro livro, de 1994. Há outros sinais que me comovem: a herança da contemplação e de uma certa “melancolia libanesa” (é filho de emigrantes libaneses), as leituras do Corão e da Bíblia, o desprendimento da língua que procura uma espécie de pureza e de simplicidade, de contenção, de procura do essencial. E não, não concordo com a ideia de que os seus livros são de “intervenção política”, como ontem se disse e estranhamente o Ministério da Cultura repetiu. Tudo é, tudo pode ser essa intervenção, mas não é isso que marca a grande beleza dos seus livros: é a beleza, propriamente dita.

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