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Cela.

por FJV, em 11.05.16

Ontem, por toda a Galiza, assinalou-se o centenário do nascimento de Camilo José Cela (1916-2002); em Espanha, menos. A Espanha atual, moderna e cheia de conveniências, acrílica, que discute o fim da sesta e das touradas, que se incomoda com o colesterol e o açúcar, que tem horror aos conhaques de antanho, ressentida como um abanico, já não tem muito a dizer sobre Cela, e detesta-o. Personagem pícaro e burlesco (polémico é dizer pouco), o autor de Mazurca para Dois Mortos não cabe nas margens de nenhuma correção política. Ele detestava o termo “tremendista”, que lhe aplicavam – mas Cela era tremendo, ex-franquista e censurado pelos franquistas, anarquista, erotómano, viajante (a pé, pela Espanha fora), Nobel em 1989, Príncipe das Astúrias em 1987, apaixonado pela língua, desbragado, maravilhoso narrador. A Mazurca é uma obra-prima (não há chuva como a do seu primeiro parágrafo), mas há também Família de Pascual Duarte, San Camilo e A Colmeia – e Essas nubes que pasan (não traduzido aqui, uma pena) e Vagabundo ao Serviço de Espanha, uma pérola de paixão pela terra. Um grande mau feitio, um génio como os de antigamente.

 

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