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As saudades do Jamaica, ai.

por FJV, em 13.03.16

Há uma nova petição indignada: contra o fecho do bar Jamaica, que dará lugar a um hotel. Por muito que a nostalgia pese e que nos irritem estes hotéis da treta (a mim irritam), a verdade é que o negócio não pode entregar-se à Câmara nem aos “cidadãos” (aliás, o Jamaica pode até mudar de lugar), e me irritam muito mais as “consciências da cidade” que pedem o regresso ao tempo em que a Baixa, o Chiado e o Cais do Sodré era um amontoado de esquinas cheias de sujidade. Quando vim para Lisboa, em 1980, não sabia o que era o Jamaica (aliás, não sabia onde era a faculdade). Ao fim de um ano aprendi o caminho e desloquei-me até lá com alguma frequência no início de um verão qualquer, depois de me certificar de que, apesar do nome, não havia apenas reggae no meio daquela escuridão onde flutuavam almas penadas, colegas (e dois professores, que eu conhecesse) da faculdade, jornalistas, furiosos do reggae, um resto de boémia intelectual e noctívagos de toda a espécie. Havia quem garantisse que o melhor do Jamaica era o final da tarde (não era, a não ser para quem ia à procura das colegas de faculdade), e quem do Jamaica partisse para o Tokyo e para os heróicos bares de putas da vizinhança. Fundamentalmente, deixámos no Jamaica boa parte das nossas pobres mesadas, e em troca levámos bebedeiras, amores, cheiros duvidosos e ouvidos massacrados. Foi bom o que foi bom; mas não se pode querer de volta uma namorada que nunca se teve.

 

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Bibliografias essenciais, 2.

por FJV, em 13.03.16

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Ordinária.

por FJV, em 13.03.16

Muito ordinárias; é assim (“de putéfia”, tradução literal) que são apresentadas as cartas que Doris Lessing (1919-2013, nascida no curdistão persa) teria escrito a Leonard Smith, um piloto da RAF que a futura Nobel da Literatura (em 2007) conheceu na antiga Rodésia, em 1944, e agora divulgadas por anterior decisão de ambos. A Erva Canta, primeiro livro de Lessing é de 1950, três anos após a morte do pai – antes disso já preparava o caminho para uma lista de livros onde entram Um Homem e Duas Mulheres, Um Murmúrio na Tempestade, O Verão Antes das Tevas ou Um Casamento Apropriado. Numa das cartas considera-se “egoísta, um egocêntrica, polígama, amoral, irresponsável, desequilibrada, definitivamente um péssimo exemplo para a sociedade” É o receituário: “As amizades eram intensas e boêmia e escondidas em casos de amor.” As cartas impressionam pela inteligência devoradora de Lessing, mas também pela naturalidade amorosa com que encara o sexo, a lealdade – e a beleza dos maridos traídos. Pelos padrões de hoje seria banida pela guarda pretoriana das mulheres que acham que o sexo deve ser substituído pelo “género”.

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