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É como vai ser.

por FJV, em 27.02.16

Por muito que custe à corporação, a economia não é apenas matéria para astrólogos. A verdade é que, tirando de um lado, escondendo de outro, esticando aqui e ali, a sensação geral é a de uma crise – que não tem apenas a ver com a falência do sistema bancário, que irá atingir todos, sobretudo os contribuintes que não são banqueiros. A prosperidade eterna, prometida pelos líderes europeus, é uma miragem num mundo em conflito, à beira de uma guerra aqui e ali (e da sua generalização), onde a Europa já não pode ir buscar recursos e riquezas para alimentar o seu bom modo de vida (e o Estado Social), e aguardando uma redefinição sobre como vão ser os próximos anos. As notícias não são boas. Lembram-se de Alvin Toffler, o da miragem de uma Terceira Vaga? O mundo mudou. Guilherme Oliveira Martins disse o essencial outro dia, e felizmente ninguém o acusou de extremismo liberal: contra a ideia de uma austeridade periódica, temos de repensar o nosso mundo no sentido de uma sobriedade permanente, o que é incompatível com as promessas dos vendedores de um futuro radioso. É como vai ser.

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Era e é crime.

por FJV, em 27.02.16

A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ) ficou com a pulga atrás da orelha por causa das expressões usadas por uma juíza num julgamento sobre violência doméstica, um crime nojento. No início da década, uma série de colunistas da “imprensa de referência” descobriu que os casos de violência doméstica “não podiam continuar” como exclusivo do Correio da Manhã, que tratava esses crimes como eles mereciam – como crimes: namorados que dão cargas de porrada a namoradas, para as educar logo no princípio, e elas não lhes enfiam um pontapé na virilha; mulheres de meia idade que apanham surras e continuam a pagar as contas em casa; mulheres jovens que aceitam um estaladão e não respondem com um taco de basebol. Os sociólogos do regime, para manterem a sua estabilidade emocional em regra, preferem que a violência doméstica seja politizada e que não sejam conspurcada nas páginas de crime – mas era e é crime. Escrevi isto na altura; envenenem os maridos que vos batem, divórcio compulsivo e obrigatório, castrem os namorados que vos tratam mal, abandonem os lares, chamem a polícia. A APMJ escusa de se incomodar.

 

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