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Angola, negócios.

por FJV, em 16.10.13

Há, em muitos comentadores, um ar de condescendência quando se trata de falar de Angola. Ou de despeito, quando – além de Angola – surge na conversa a contribuição de Angola para a chamada “vida empresarial”. Portugal, que desde 1834, com poucas exceções, mantém intacta a estrutura da propriedade e das classes (incluindo castas, taras e nomes de família) que, alternadamente, tutelam a política e a economia, descobriu que existem “novos ricos” vindos de África. Mas o despeito, sobretudo, tem via aberta na imprensa quando se trata de Angola. Descobrem-se conspirações internacionais e intercontinentais, embora um mínimo de pudor deseje que o dinheiro fique dentro de fronteiras, independentemente da sua cor. Sobre isso, da cor, há um nadinha de honra perdida nessa reação, nota-se. Em certos casos, de racismo disfarçado ou daquela risível arrogância de candidatos a cavalheiros brancos e europeus, desorientados.

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Um livro para os aeroportos.

por FJV, em 16.10.13

Stephen Hawking queria que o seu livro Uma Breve História do Tempo (publicado pela Gradiva em 1987) ultrapassasse a barreira dos estudantes e académicos ligados ao mundo da Física e da Astronomia e fosse lido pelo grande público. Um livro que se pudesse vender nas livrarias dos aeroportos e que chegasse às mãos de pessoas pouco dadas a matérias científicas. Uma das razões, confessa ele na sua autobiografia finalmente publicada, é que precisava de dinheiro para pagar os estudos da sua filha. A doença de Gehrig, que o afecta desde jovem, nunca o impediu de continuar o seu trabalho, de comunicar com o grande público, de ter uma vida familiar e de ocupar a cátedra que, em Cambridge, pertenceu a Newton há 350 anos. Muitos guardam apenas a imagem desse homem franzino que defronta a doença e a sua singularidade. A sua autobiografia, My Brief History, é um belo testemunho sobre a alegria de viver.

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Neruda.

por FJV, em 16.10.13

Pablo Neruda (Chile, 1904) é, provavelmente, um dos poetas mais lidos do século XX. Muitos dos seus leitores mais jovens conheceram-no com o filme O Carteiro de Pablo Neruda, que adaptava um livro de Antonio Skarmeta. Alguns dos poemas de Canto Geral (sobretudo “Alturas de Macchu Picchu”), da colectânea Residência na Terra e dos seus Cem Sonetos de Amor são memoráveis e estão na lista de argumentos para o Nobel em 1971 (Borges achava que era um dos piores poetas a escrever sobre amor — e tinha razão, era muito aborrecido e solene). Mas o mito ultrapassou em muito a sua obra, romântica, cultíssima e marcada pela epopeia. Prémio Lenine em 1953, Neruda dedicou vários poemas a Estaline (“Estaline limpa, constrói, fortifica, preserva, olha, protege, alimenta...) e considerava Lenine o maior génio do século XX. A sua profissão de diplomata permitiu-lhe viajar: foi, por isso, um paisagista fantástico. A sua morte (padecia de cancro) coincidiu com o golpe militar de Pinochet, há 40 anos.

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Os pálidos de Letras.

por FJV, em 16.10.13

Foi apresentado um estudo sobre os hábitos da população estudantil portuguesa. Parece que é normal: dedica-se, em percentagens aceitáveis, ao consumo de álcool, haxixe, má comida, noitadas e excessos conhecidos. Tirando as dificuldades financeiras, o mundo continua a reproduzir-se com tranquilidade. Um dos pormenores é importante: os estudantes de Ciências são mais saudáveis do que os de Letras; estes não praticam desporto, ficam tristes com facilidade e revelam “mal estar emocional”. Dois terços dos de Letras e um terço dos de Ciências estão nessas condições. De facto, a literatura e a vida intelectual de hoje não são companhia decente. Nem sempre foi assim; Rosado Fernandes, um homem das letras clássicas (grego e latim) notável tradutor (foi reitor da universidade de Lisboa), pôs a sua faculdade nas alturas quando ganhou todas as provas de remo, até à Escola Naval. Hoje seria impossível. 

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