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O campo.

por FJV, em 08.07.13

São Pedro de Arcos, Ponte de Lima

 

Em editorial, o Daily Telegraph deste sábado («Glorious Wild») festejava a chegada do verão, reafirmando que o melhor lugar para passar as férias é o «campo britânico». Os ingleses são muito mais pálidos, as temperaturas não chegam aos 40° e a Inglaterra não tem as praias da nossa costa (onde, aliás, eles vêm ganhar cor, felizmente) – portanto, não vale a pena seguir o exemplo. Tudo isso é verdade, mas vale a pena seguir o exemplo, sim. Em Inglaterra, existe desde os anos setenta uma campanha permanente pela «reabilitação do campo», que não tem apenas uma agenda ecológica – mas também preservacionista, e conservadora. Ou seja: não vale a pena falar do «campo» se não preservarmos a qualidade e a tradição dos alimentos, o património arquitetónico, as florestas, a paisagem, os rios, e as próprias ruínas. Isso sim, podíamos copiar. Basta passear um pouco pelo país fora para verificar como tudo vai ficando, sujo, degradado e preparado para a «arqueologia suburbana» dos próximos anos. Foi o Telegraph, aliás, que liderou uma campanha contra a construção de uma linha rápida de comboio porque iria destruir uma floresta de carvalhos (e a linha, aliás, só iria poupar 20 minutos na ligação Londres-Manchester). 

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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