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Escândalo no bairro.

por FJV, em 12.01.13

Parece que, a fim de assinalar o seu aniversário, uma senhora deputada ultrapassou tanto a barreira do decoro (extraparlamentar) como a da lei, e foi apanhada a conduzir manifestamente alcoolizada, com uma taxa de 2,41. É bastante. Segundo pude ler nas chamadas ‘redes sociais’ ou na imprensa (e ouvir na esplanada), parte do país está chocada com a sua atitude irresponsável e, aqui e ali, exige-se severidade e, para já, um pedido de desculpas à nação. Glória Araújo (que nunca invocou a sua qualidade de parlamentar) não vai ter a vida fácil, até porque cometeu um crime: quando os portugueses descobrem a sua veia moralista costumam ser excessivos; tanto quando descobrem a sua veia alcoólica. Tenho pena que isso tivesse acontecido desta forma e preferia que a senhora deputada tivesse tomado as suas bebidas sem guiar o carro a seguir. Farto de economia & finanças, o país precisa de beber um pouco. Podia ser um pouco menos – mas os padrões de Glória são elevados.

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Corelli, 300 anos.

por FJV, em 12.01.13

A harmonia da sua música tocou todo o barroco posterior e há ressonâncias dessa influência – em Bach, com menos nitidez (até porque em Bach nos recusamos a escutar outra voz), mas em Vivaldi ou Couperin, para não mencionar Handel, respiram certamente algumas notas do violino de Arcangelo Corelli (1653-1713), cuja morte ocorreu há 300 anosã. Mencionei a “harmonia” porque é esse o traço dominante da sua obra, mais do que colocar em evidência o virtuosismo e a voracidade da sua técnica, com ornamentos belíssimos e inovadores a contornar o ‘continuo’ das cordas italianas. É uma música cujo efeito monumental, por vezes solene, fica bem em Roma, onde viveu e morreu. Mas nem por isso deixa de se notar uma simplicidade  que contrasta com a música do seu tempo – nos intervalos dessa solenidade, é de supor que Deus pudesse brincar nas suas escalas. 

[Da coluna do Correio da Manhã]

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O regresso de Theroux.

por FJV, em 12.01.13

Desde a década de 80, quando os negócios do asfalto explodiram, que os comboios portugueses tinham o destino traçado, tirando quatro ou cinco linhas essenciais. Não acontece assim noutros lugares – nem nas viagens do escritor Paul Theroux, que deu várias voltas ao mundo de comboio, por todos os continentes. Em Abril de 2009 assisti a um encontro memorável, o do americano Theroux com o angolano Luandino Vieira; Theroux queria alguém que lhe desse indicações sobre como viajar em África nos lugares onde não havia comboio. Luandino, por vários motivos, estava à mão; numa toalha de restaurante traçou estradas sobre o mapa de África, depois apenas no de Angola, e foi dizendo: “Vai por aqui, não vás por aqui, dorme nesta pensão, come naquele restaurante.” O livro sai em Maio, em Inglaterra e nos EUA: The Last Train to Zona Verde. É o relato de como atravessar o fim do mundo e querer voltar.

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Ora aqui está uma boa solução, podem começar as listas.

por FJV, em 12.01.13

«Nós temos de definir o padrão de vida de que não estamos dispostos a abdicar e então pedir solidariedade europeia.», terá afirmado Luís Nazaré. O que ainda não está sequer definido é qual é esse padrão de vida; mas a ideia de que «não estamos dispostos a abdicar» parece realmente interessante, sobretudo porque se pede logo «a solidariedade europeia». Além das listas de coisas de que não estamos dispostos a abdicar, podem também começar a pedir a solidariedade europeia.

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