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Um rasto de invenção.

por FJV, em 08.12.12


As obras de Niemeyer devem ser vistas ao entardecer para não sermos feridos pela sua brancura ou pelas enormes dimensões desses projetos sempre tão caros e monumentais, aspirando à epopeia e dando de si mesmos uma escala desumana, impositiva, de grandiosidade, fora do mundo. Os seus trabalhos de Brasília são o exemplo maior dessas linhas em branco, curvas, planos que flutuam, pilares que assentam sobre águas invisíveis, corredores onde ficamos minúsculos – e espaços tão vastos que só cabem em grandes panorâmicas, como a cidade administrativa de Minas Gerais (o seu derradeiro trabalho, de 2010), o centro cultural de Avilés, nas Astúrias, ou a catedral metropolitana de Brasília, onde a religião é homenageada por um ateu. O talento de Niemeyer (evidente desde que desenhou o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte, nos anos 40) e esse rasto de invenção são o mais importante; o resto passa, é só destino e circunstância.

[Da coluna do Correio da Manhã]

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Fim de sábado.

por FJV, em 08.12.12

Fim de sábado, «Kedushah», de John Zorn.

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