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Lugares. 3

por FJV, em 31.12.12

 

 

 

Forte da Graça. Elvas.

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Lugares. 2

por FJV, em 30.12.12

Ilha de Flores. Indonésia.

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Lugares.

por FJV, em 29.12.12

 

Glacier National Park. Iceberg Lake. Montana, EUA.

© Christine Hill

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Ravel.

por FJV, em 28.12.12

O combate de Maurice Ravel (1875-1937) não era com a tradição (que considerava uma «bengala» dos imbecis) mas com um mundo que não sabia lidar com a melancolia. Toda a sua música a celebra no meio da euforia que acompanha o novo século, como estava previsto em Debussy, Satie ou Saint-Saëns. O comum dos mortais acompanha, tamborilando, a evolução do Bolero – mas desconhece a subtileza de uma obra que andou de mãos dadas com a literatura: melodias que respiram a água da chuva, procura de uma pureza impossível em acordes que existem em Pavana para uma Princesa Defunta, Daphne e Chloé ou nas suas valsas sentimentais. À nossa vida falta música – uma certa beleza que só ela transporta. Hoje, nos 75 anos da morte de Ravel, devíamos ouvi-la.

[Da coluna do Correio da Manhã]

Pavane pour une Infante defunte. 
Seiji Ozawa, Boston Symphony Orchestra

Pavane pour une Infante defunte. 

Sviatoslav Richter


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Dá para um livro e 1/4 por mês. É bom.

por FJV, em 27.12.12

No Brasil, entretanto, foi finalmente aprovado um projeto (ideia de Ana de Hollanda, anterior ministra da Cultura) a seguir com atenção: o cheque-cultura. 50 reais por mês para quem ganhe até cinco salários mínimos; a mecânica é trapalhona, mas a ideia é boa. É bom.

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Sentido de oportunidade.

por FJV, em 27.12.12

A edição do DN neste sábado é dirigida por Carvalho da Silva, que entrevista Lula da Silva. Sendo tão atual o combate à corrupção, espera-se que o ex-presidente brasileiro seja questionado sobre o mensalão.

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Burla.

por FJV, em 27.12.12

O rol de burlas que se arrasta com o nome de Artur Baptista da Silva é material literário. Em A Brasileira de Prazins, Camilo Castelo Branco cria um personagem semelhante, um falso D. Miguel que visitava o país às escondidas para organizar o combate contra as indignidades do governo –que o expulsara. Os padres de Braga e os seus pelotões de aldeia fiaram-se nele; na verdade, precisavam de um D. Miguel que lhes dissesse o que queriam ouvir. Mesmo depois de desmascarado (era, afinal, um valdevinos), houve quem o desculpasse. Baptista da Silva também será um valdevinos, com a vantagem de ter estado quase a entrar para a Academia do Bacalhau e ter fotos no Facebook; no restante, a personagem assenta-lhe bem, contentando os que precisavam de legitimidade para o seu lero-lero. Não é preciso dizer grande coisa, afinal, para ser Baptista da Silva. 

[Da coluna do Correio da Manhã]

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Financiamento.

por FJV, em 27.12.12

A decisão de criar a Casa da Música coube ao Estado português, na sequência da Porto 2001. O historial das polémicas à volta da sua gestão inicial, da “derrapagem dos custos” (vastíssima, num custo final seis vezes superior ao inicialmente previsto) e do seu peso institucional ainda não foi concluído. Mário Soares, quando visitou o edifício, proclamou (no seu melhor estilo de gestor) que o que era preciso era que as coisas se fizessem, “que o dinheiro há-de aparecer”. Ora, como todos sabemos, o dinheiro, às vezes, não aparece – e em tempos de crise é necessária a sensatez que permite moderar as despesas e, ao mesmo tempo, evitar que desapareça o essencial. O problema é que apenas uma parte do financiamento da Casa da Música depende de privados e de mecenas – e o grande risco que essa percentagem desapareça. Se isso acontecer, a decisão (e o orçamento) caberá de novo, e inteiramente, ao Estado. 

[Da coluna do Correio da Manhã]

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Mensalão.

por FJV, em 22.12.12

O mensalão brasileiro não fez grande notícia em Portugal nos últimos tempos, sobretudo porque colocaria em risco a beatificação de Lula. Mas deve dizer-se que o Brasil deu uma lição: condenou políticos, banqueiros, parapolíticos e afins – por corrupção. Mais: o tribunal retirou os passaportes e anunciou as penas de prisão a políticos no ativo (que o partido no poder, entretanto, não quer cumprir uma vez que se trata de «uma ingerência do poder judiciário no poder legislativo», olha, olha). Houve provas, houve esclarecimentos, houve nomes, houve processo judicial. E ninguém apareceu a dizer «sim, o mensalão aconteceu mas eu não tenho provas». E nenhum «adiamento sucessivo até à prescrição» ganhou. 

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Nos ares.

por FJV, em 22.12.12

Sabemos pelos comentadores, e pelo Sr. Artur do quiosque, que a diferença entre as «empresas estratégicas» e as outras é que as «estratégicas», vá lá, não devem ser privatizadas – e as outras podem. A TAP é «estratégica» porque leva a bandeira portuguesa pelos céus, mantendo a soberania nacional em boa altitude, e precisa de injeções permanentes de dinheiro dos contribuintes, inclusive daqueles que vêem os seus salários diminuídos e os seus impostos aumentados até ao insuportável.

Como se não fosse suficiente arrastar as cores nacionais pela troposfera, sabemos que é objetivo da TAP «assegurar ao seu acionista os mais adequados níveis de rentabilidade e aos seus trabalhadores as melhores condições de desenvolvimento profissional», sem esquecer o importante contributo para a aliança das civilizações, através do «caloroso acolhimento da companhia aérea portuguesa e o abraço alargado à diversidade e multiplicidade cultural dos destinos cobertos pela sua Rede».

Mesmo que no «cadernos de encargos» figurem coisas como «manutenção de postos de trabalho», «investimento», e «conservação da marca TAP», ainda assim a soberania nacional fica em risco porque deixamos de poder contribuir para o seu invejável equilíbrio financeiro, sem falar da crise de identidade que daí pode gerar-se.

Parece-me que é isto.

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Ortografia ainda, 2.

por FJV, em 20.12.12

O correspondente do Origem das Espécies no Brasil, Gonçalo Soares, lembra — sobre o post abaixo — a responsabilidade da universidade brasileira através de um personagem que defende que tanto se pode dizer os óculos como os óculo. Cavalgando o engraçadismo, pode ser lido aqui; cavalgando o petismo, consulte-se aqui.

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«Evitando-se assim que as crianças sejam expostas a imagens de comidas altamente calóricas.»

por FJV, em 19.12.12

O problema é que Jamie Oliver prometeu comida mais saudável — e um grupo de investigadores vem declarar que as refeições prontas e congeladas têm menos calorias e menos gorduras do que os pratos que o rapaz prepara nos seus programas (estando ainda por esclarecer se uma alimentação saudável se pode aferir unicamente pelas calorias, ou pelo conjunto de pratos preparados, em que uns têm mais e outros menos calorias e gorduras, mas certamente terão mais vegetais frescos, por exemplo). Também Nigella Lawson leva que contar: as suas receitas têm todos os pecados (mas ao menos ela não esconde ao que vem: espalhar o pecado entre a população eleitora). O estudo, publicado no British Medical Journal termina alvitrando que os «programas dos chefs» sejam transmitidos a uma hora mais tardia para evitar que as crianças «sejam expostas a imagens de comidas altamente calóricas». Só aquelas imagens, convenhamos, destroem o equilíbrio de qualquer criança, que pode assistir a programas de violência, economia, semipornografia e linguagem desbragada – mas deve ser poupada à visão diabólica de um par de calorias dançando no meio de um prato, enlaçadas com uma proibida colher de manteiga. Podíamos falar muito mais sobre isto, claro, mas há limites para um dia de neblina, coisa que nos enche de apetite.

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Letras e ciências.

por FJV, em 18.12.12

As letras e as ciências queixavam-se de uma certa «ignorância» de parte a parte – os cientistas não tinham lido Dickens; os letrados ignoravam a termodinâmica e não sabiam a tabuada. C.P. Snow (1905-1980) criou por isso o conceito de «duas culturas». Hoje em dia, o desequilíbrio favorece as ciências. Sobretudo em Portugal, onde a cultura literária foi sempre muito mais valorizada do que a cultura científica (um cientista lê poesia, vai ao teatro, etc.; duvido que uma pequena minoria de letrados, sequer, se interesse por questões científicas, o que é uma pena). No ano passado, o Prémio Leya foi ganho por um engenheiro electrónico, João Ricardo Pedro; este ano, foi atribuído a um físico, Nuno Camarneiro, investigador no CERN e no departamento de química de Aveiro – e já autor de um romance. A literatura sai das letras. É muito bom.

[Da coluna do Correio da Manhã]



Em 2006, justamente, esse debate no Origem das Espécies, a propósito de um post de Paulo Gorjão sobre uma conferência de João Magueijo: 


Há falta de contacto entre «as ciências» (se considerarmos que existem «ciências humanas e sociais») e os temas. Mas penso que a situação não se traduz por ignorância ou desconhecimento mútuos. Ou seja: a área das humanidades desconhece mais o mundo das ciências do que o inverso. É mais fácil encontrar investigadores, professores ou estudantes de ciências (matemática, física, biologia, etc.) interessados em matérias relacionadas com arte, literatura, política ou história, do que o seu contrário. As «humanidades» mostram em Portugal uma arrogância que lhes é fatal. O «predomínio» da «cultura literária» sobre a «cultura científica» traduz essa arrogância das Letras -- o que significa que alguém vindo da área das ciências pode discutir, de igual para igual com alguém das Letras, sobre política, ópera, relações internacionais ou o romantismo tardio, mas que a generalidade das pessoas de Letras tem grande dificuldade em apreender os conceitos fundamentais da ciência contemporânea; experimentemos perguntar a um aluno finalista de sociologia o que significam, em termos muito básicos, «mecânica quântica», «buracos negros», «teoria das cordas», ou se alguma vez leram Darwin, Stephen Jay Gould ou se são capazes de dizer que há uma teoria da relatividade restrita e uma teoria da relatividade geral (ou, até, neste caso, se se comoveram com o livro de Alan Lightman, Os Sonhos de Einstein).
Seria bom perceber até que ponto os alunos de Direito, de Psicologia ou de Relações Internacionais seriam capazes de relacionar o nome de João Magueijo com Einstein ou se se sentiram motivados, alguma vez, a comprar o seu livro Mais Rápido Que a Luz. Ou, para sermos ainda mais claros, se alguns se interessaram por ler os de Carlos Fiolhais ou os de Nuno Crato com Fernando Reis, Luís Tirapicos, etc.; se se aperceberam da actividade de Rómulo de Carvalho; se leram um dos livros de João Lobo Antunes; se ultrapassaram a contracapa dos livros de Damásio; se sabem quem é Maria de Sousa; se conhecem algum texto de Jorge Buescu, Alexandre Quintanilha, Rui Fausto, Rita Marnoto, João Varela, Teresa Lago, M. Moniz Pereira (só para citar aqueles que escreveram para «os grandes meios»); se já leram alguns livros de divulgação científica; se reconhecem os nomes de Feynman, Dawkins, Reeves ou Penrose; se acham que Sagan é astrólogo em vez de astrónomo; se se interessaram pelos livros de jogos matemáticos do João Pedro Neto e do Jorge Nuno Silva, etc. etc.
Estes são alguns dos maus hábitos da academia (a ignorância das Letras em relação às Ciências).

 

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Ortografia, ainda.

por FJV, em 18.12.12

Relendo o blog de Augusto Nunes, na Veja, recordo uma página fantástica do ensino da Língua Portuguesa num manual do ministério da Educação brasileiro: 

 

 

Trata-se da frase «Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado», que as autoras do manual dizem estar correta: «O fato de haver a palavra os (plural) indica que se trata de mais de um livro.» A norma culta imporia a grafia «Os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados»; as autoras acrescentam: «Você pode estar se perguntando: "Mas eu posso falar 'os livro'?" Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico.»

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O cantinho do hooligan. Apontamento musical.

por FJV, em 17.12.12

 

Um jogador contra dez jogadores do outro clube e o árbitro. [Imagem daqui.]

Mesmo eu, que não gosto de Messi.

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Prémio Pessoa para Richard Zenith.

por FJV, em 14.12.12

Uma boa notícia. Richard Zenith é um dos melhores.

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Alerta vermelho.

por FJV, em 14.12.12

A primeira edição de Le Retour du tragique, de Jean-Marie Domenach, saiu em 1967 — foi publicado em Portugal pela Moraes logo no ano seguinte (O Retorno do Trágico), mas há algumas passagens que poderiam ser relidas com proveito, nomeadamente a propósito da leitura dos alertas vermelhos, laranjas e amarelos emitidos pela Protecção Civil e pela Meteorologia. Esta manhã, na rádio, o jornalista entrevistava um senhor dos bombeiros; a ideia era, obviamente, acompanhar ao vivo a tragédia iminente. O senhor dos bombeiros descrevia, com minúcia, a situação na cidade: sim, às seis da manhã choveu um bocado mais, depois parou, bom, é Inverno, está claro. O jornalista insiste: mas espera-se um agravamento para esta manhã; do outro lado do telefone: agora não chove, está vento, é o normal, não é?, é o normal. E então que incidentes já tiveram até agora? Bom, lá andámos a limpar umas sarjetas que estavam entupidas com folhas, é o normal, não é?, é o normal, há inundações, enfim. Mas caem árvores, não é? Sim, com o vento, é o normal, não é?, é o normal. Alerta vermelho até às três da tarde, a tragédia regressa.

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Patronímicos.

por FJV, em 13.12.12

 

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo mete-se em avarias literárias; desta vez estabelece uma ligação entre o tunisino Haddad e o austríaco Freud. Está bem, são coincidências, não liguem.

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Mo Yan.

por FJV, em 12.12.12

É fácil, a partir do Ocidente da imprensa livre e da internet acessível, chamar «fantoche do regime» ao chinês Mo Yan, prémio Nobel da Literatura deste ano, sobretudo depois de ele se ter recusado a assinar uma petição pela liberdade do autor e compatriota Liu Xiaobo (Nobel da Paz de 2010). Os livros de Mo Yan denunciam as arbitrariedades da história e da política, o sofrimento dos pobres e a brutalidade do regime de Mao – e não deixam de ser belos livros, apesar de serem agora desvalorizados por autores e intelectuais (alguns deles) que em outras circunstâncias apoiaram ditaduras que estavam na moda e líderes sanguinários celebrados como «heróis» (nomeadamente o próprio Mao). Compreende-se o horror causado pela ligação de Mo Yan ao regime, mas é bom lembrar que é fácil pedir coragem à distância.

[Da coluna do Correio da Manhã]

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Choque e pavor.

por FJV, em 12.12.12

Esta é uma das peças mais divertidas da imprensa de hoje: o descontentamento socialista com Hollande depois de, há cerca de meio ano, a eleição de Hollande significar uma «mudança radical» nos destinos da Europa e, portanto, de Portugal. Nem o ministro do «redressement productif», Arnaud Montebourg, será absolvido. 

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Os erros do Acordo.

por FJV, em 10.12.12

Várias vezes defendi que o Acordo Ortográfico (que entrou em vigor por decisão apressada do governo português – de Janeiro de 2011) necessitava de ser aperfeiçoado, o que me valeu ataques boçais ou patetas. Dessa revisão não viria mal ao mundo; pelo contrário, é imperiosa. Aprovado em 1990, houve tempo para discuti-lo ou para acabar com ele. Nem uma coisa nem outra. Os jornais publicaram entretanto notícias sobre o adiamento da sua obrigatoriedade no Brasil para 2015. Nada mais normal: lá, os órgãos do Estado só iriam aplicá-lo a partir de 2013 (a imprensa já o faz, em geral) e em Portugal só seria definitivo a partir de 2015, o que coincide com a conclusão do Vocabulário Ortográfico dos países de Língua Portuguesa. Ou seja: podemos livrar-nos dos erros do Acordo. 

[Da coluna do Correio da Manhã]

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Antologia pessoal, 1.

por FJV, em 09.12.12



Soneto XXIX


Quando, perante os homens e a Fortuna,
Chorar o mal da minha condição,
Num pranto alto que o céu surdo importuna
Com meu destino e minha maldição,
E me quiser mais cheio de esperança,
Como este trajar e amigos possuir,
Daquele a arte, doutro a abastança,
Mais tenho o que menos posso fruir;
No desprezo que a mim voto, todavia,
Penso no vosso, e neste estado meu,
Como na alvorada ergue a cotovia
Da terra triste o canto em hino ao céu.
Pois é tão rico o vosso amor lembrado
Que nem p’lo dos reis troco o meu estado.

 

William Shakespeare 


[Tradução de Manuel Portela, publicado no blogue Casmurro, em Nov. de 2005]

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Lula não sabia de nada.

por FJV, em 09.12.12

A eleição de Joaquim Barbosa como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) foi um dos factos mais importantes da vida política brasileira dos últimos anos. Não por ser negro; mas porque, com ele, pela primeira vez a Justiça brasileira enumerou as penas efetivas de uma série de políticos que, a partir do Planalto e do partido no poder (o PT), articularam um gigantesco esquema de corrupção — o mensalão. José Dirceu, o autor desse esquema, tentou mobilizar «a rua» para tirar eficácia às decisões do STF; em vão: na mesma altura rebentou o «Rosegate» (operação Porto Seguro), onde — mais uma vez — estão as assinaturas de Lula e de José Dirceu. Na sessão do STF de sexta-feira passada, o «intérprete» do PT no Supremo, Ricardo Lewandowski, chegou a declarar que «nem a Revolução Francesa» retirou os direitos políticos que o STF quer agora retirar ao bando que domina o PT e dominou o «governo Lula». Lula, claro, não sabia de nada. Mas, à medida que as decisões do STF forem sendo tomadas, mais investigações vão aparecer


Leituras: Parábola, Ele foi apanhado. Também, Eles foram apanhados. O Cerco, O cerco, Cronologia.

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Cinemas de antanho.

por FJV, em 09.12.12

  

 

Margarida Acciaiouli mostra, no seu livro Os Cinemas de Lisboa (Bizâncio), como os vários executivos camarários deixaram desaparecer as salas de cinema da capital (como o Condes, o Odéon, o Monumental ou o Império) – onde nasceram bancos, templos, escritórios ou centros comerciais. O problema é que «a nossa relação com o cinema mudou» e o negócio entrou em crise (mas as pipocas dão lucro), vencido pela especulação imobiliária. O público não diminuiu com o fim das salas comerciais – talvez elas desaparecessem devido à falta de público, a menos que se prolongassem apoios do Estado e das câmaras. Nem de propósito, a apresentação do livro é na terça-feira, no São Jorge; mas, ao contrário do que diz Acciaiouli, não é a única das «catedrais do cinema que resistiu». Não resistiu: é propriedade da Câmara.

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O cantinho do hooligan. Xanax.

por FJV, em 09.12.12

 

Durante largo período do jogo, pareceu-me que a maior parte da equipa tinha tomado Xanax, e do XR, o mais forte. Ou alinhavam como repolhos «no belo tapete verde», ou falhavam a baliza do bravo Moreirense depois de marcharem pelo campo (tirando dois passes magistrais de James e outros dois de Moutinho). Há duas perspectivas sobre o assunto: 1) o FC Porto ganhou por 1-0; 2) depois do Braga e do PSG, está na hora de diminuirem a dose de Xanax. Em qualquer dos casos, Jackson soma e segue.

 

[Não sei se o Nuno era adepto do Roberto Baggio, que fazia pontaria aos braços dos defesas para «arrancar» penáltis; calhava-lhe bem o Alex Sandro, que devia jogar com as mãos atrás das costas.] 

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Um rasto de invenção.

por FJV, em 08.12.12


As obras de Niemeyer devem ser vistas ao entardecer para não sermos feridos pela sua brancura ou pelas enormes dimensões desses projetos sempre tão caros e monumentais, aspirando à epopeia e dando de si mesmos uma escala desumana, impositiva, de grandiosidade, fora do mundo. Os seus trabalhos de Brasília são o exemplo maior dessas linhas em branco, curvas, planos que flutuam, pilares que assentam sobre águas invisíveis, corredores onde ficamos minúsculos – e espaços tão vastos que só cabem em grandes panorâmicas, como a cidade administrativa de Minas Gerais (o seu derradeiro trabalho, de 2010), o centro cultural de Avilés, nas Astúrias, ou a catedral metropolitana de Brasília, onde a religião é homenageada por um ateu. O talento de Niemeyer (evidente desde que desenhou o complexo da Pampulha, em Belo Horizonte, nos anos 40) e esse rasto de invenção são o mais importante; o resto passa, é só destino e circunstância.

[Da coluna do Correio da Manhã]

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Fim de sábado.

por FJV, em 08.12.12

Fim de sábado, «Kedushah», de John Zorn.

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Best-sellers prometidos.

por FJV, em 07.12.12

Depois de As Cinquenta Sombras de Grey.

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Benite.

por FJV, em 06.12.12

Havia o teatro, mas havia muito mais do que isso em Joaquim Benite: uma coragem criadora e desprendida que todos nos habituámos a respeitar. Era impossível não citar o seu nome, ou esquecer a Companhia de Teatro de Almada (e, antes, a de Campolide) e o seu trabalho como encenador (Shakespeare acima de todos, como se esperava do seu talento, da sua cultura e da sua sensibilidade – e O’Neill, Albee, Brecht, Lorca, Molière, entre muitos). Havia muito mais, e muito para lá das «artes do espectáculo»; havia sobretudo a sua intuição cheia de milagres, de leituras e de generosidade. Em 2011 cometeu um pequeno engano, ao dizer que «os encenadores nunca ficam na história, só os escritores, como Shakespeare» – porque o seu nome estará sempre no palco da nossa memória.

[Da coluna do Correio da Manhã]


Leituras: entrevista ao jornal I; entrevista ao Expresso.

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Linhas que flutuam.

por FJV, em 06.12.12

 

Brasília, um pássaro visto do céu.

Oscar Niemeyer, 1907-2012

 

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