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O cantinho do hooligan. De olhão (sem más intenções).

por FJV, em 02.05.11

Depois da goleada ao Villareal, tudo está preparado para a segunda mão. Pelo meio, um jogo desinteressante em Setúbal que rendeu vitória por quatro, e com um James em grande forma (e com a defesa a precisar de caldinhos), mas que serviu para dilatar a maior vantagem da história dos campeonatos portugueses; foi de olhão.

Queria, no entanto, recordar três ou quatro momentos de glória. O primeiro, de Freddy Guarín (2-1 com o Villarreal): foi, como se recordam, um golo em dois tempos, com uma primeira parte primorosa em que desviou dois adversários da linha de corrida e uma segunda parte amável e, simultaneamente, crudelíssima, em que a bola acaba por lhe ser devolvida. O resto, ou seja, o toque de cabeça final de Guarín, não faz parte do golo – é pura elegância  e capacidade de decidir numa fracção de segundo; está, sinceramente, além do golo, até porque alguém que finta a margem direita do Villarreal e se apresenta diante do guarda-redes com aquela disposição, já merece o golo. Por isso o toque de cabeça é como que o terceto final do soneto que Guarín compôs, ele que não parece poeta. O segundo (3-1 ao Villarreal), já com aquela via ligeiramente despedaçada por Hulk e transformada numa espécie de Nevsky Prospekt em tempos de revolução (Tomás, tu entendes), entra também na história; em primeiro lugar, porque o árbitro estava disposto a deixar, alegremente, que o Villareal torpedeasse os meniscos do brasuca; em segundo lugar, porque o toque de Falcao é milimetricamente seguro. Passemos ao terceiro (4-1 no mesmo jogo): um golo de ave, de quetzal, em voo ligeiramente pronunciado, empurrando o ar com o movimento do corpo, gesto de puro e indiscutível talento – só Falcao poderia tê-lo marcado diante da assembleia de incréus que veio das Espanhas, precedido da habitual fama com que os bárbaros se anunciam antes de serem derrotados. Podíamos falar do quarto (5-1), com Falcao a servir de periscópio e a fazer com que a bola atravessasse toda a área, com um empurrão de cabeça. Vamos ver na quinta-feira.

Entretanto, em Junho, ele vem, já preparado para formar no tridente de ataque. Esta sim, é de olhão.

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Uma edição.

por FJV, em 02.05.11

Passam hoje 400 anos sobre a data da impressão do primeiro exemplar da Bíblia do rei Jaime I (James) de Inglaterra. Na tradição latina o assunto pode não ter muita importância; mas, na verdade, é um marco quer para a teologia, para a política ou para a literatura posteriores (os grandes autores do cânone, em língua inglesa, seguem esta versão). Trata-se da primeira tradução integral, rigorosa e comentada da Bíblia para a língua popular, ou vernácula. A partir daí, a Bíblia passou a estar disponível para discussão, deixando de ser um texto reservado à liturgia e ao clero. Mais: pela primeira vez no Ocidente, houve uma preocupação literária e estilística na sua tradução. Ao mesmo tempo, no mundo católico da época, pelo contrário, ler a Bíblia podia ser um ato de heresia fulminante.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Imaterial?

por FJV, em 02.05.11

É uma má notícia para os dietistas e caçadores de imoralidades calóricas: a ‘francesinha’ faz parte do nosso orgulho. O sítio AOL Travel acaba declarar que ela é a oitava melhor sanduíche do mundo, uma espécie de Machu Pichu da culinária de bar. A ‘francesinha’ deve ser comida de garfo e faca, e nas dez primeiras da lista, apesar da abundância de ingredientes, só o ‘kati roll’ (de Calcutá, em sexto lugar) se lhe compara em elegância – todas as outras só podem ser comidas com manifesto prejuízo das maneiras à mesa. A ‘fast food’ portuguesa pode ser enriquecida com a ‘francesinha’, à semelhança do que a cadeia Habib’s já fez com o pastel de nata ou o bolinho de bacalhau. Podíamos, claro, chamar-lhe ‘portuguesinha’ e licenciá-la como parte do nosso ‘património imaterial’.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Perguntas simples.

por FJV, em 02.05.11

«É racional acreditar em Sócrates, quando diz que o chumbo do PEC IV, em Março, é que fez faltar o dinheiro já em Maio?

«Quando sabemos que o FMI é mais brando do que a UE, não podemos concluir que fomos enganados pela retórica de Sócrates? Que o país perdeu muito dinheiro ao não pedir o resgate mais cedo? Que se o pedisse só à UE, sem o FMI, isso apenas beneficiava o ego do primeiro-ministro?

«Se Manuela Ferreira Leite tinha razão em 2009, quando traçou um panorama negro do país, enquanto Sócrates aumentava a função pública e prometia cheques-bébé, a conclusão é que o primeiro-ministro sabia menos que Manuela Ferreira Leite? Ou que enganou deliberadamente o eleitorado, para vencer as eleições? E quem nos engana, uma vez, duas, três vezes, não nos estará a enganar agora?

Henrique Monteiro, Expresso.

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É isso?

por FJV, em 02.05.11

José Pacheco Pereira lutou, nos últimos anos, contra a transformação da política em propaganda, apoiou a tese da «asfixia democrática», falou abundantemente do «problema de carácter de José Sócrates», pediu uma comissão de inquérito sobre os negócios obscuros do PM, dá lições de «comunicação & anti-propaganda» na SIC Not, conspirou contra Santana Lopes (porque era insuportável a confusão entre interesses privados e interesses públicos, entre política e propaganda) – hoje, acha que os portugueses devem escolher para primeiro-ministro quem melhor maneja os truques e repete chavões fáceis de apreender. E que não interessa quem esteve no governo durante seis anos levando-nos até aqui, ao abismo, ao descontrole das finanças públicas, ao empobrecimento, ao desvario – interessa apenas que não seja Passos Coelho. É isso?

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