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Manuel António Pina, Prémio Camões 2011. Coisas que nos deixam muito, muito felizes.

por FJV, em 12.05.11



A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —

 

Manuel António Pina

Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde

 

 

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Desaparecido em combate, de novo.

por FJV, em 09.05.11

De desautorização em desautorização, até que se perceba em que águas navega: «You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates

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Gabinete de curiosidades.

por FJV, em 09.05.11

As coisas vistas da Islândia: «No meu país eu sei quem puxou os cordelinhos, porque o fizeram e o que fizeram, e Portugal precisa de fazer o mesmo. De analisar porque alguém teve esse incentivo, no Governo e nos bancos, para pedirem tanto emprestado e como se pode solucionar esse problema no futuro.»

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As maravilhas.

por FJV, em 07.05.11

Naturalmente, a alheira.

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Como dissecar um livro. Exemplo: «Danúbio», de Claudio Magris.

por FJV, em 05.05.11

Primeira fase: prestes a entrar no Bloco Operatório, na estante das farpelas.

 

 

Segunda fase: esterilização e preparação. O livro está convenientemente preparado para entrar no Bloco Operatório e ser submetido à dissecação.

 

 

 

Terceira fase: o livro é dissecado em todos os sentidos.

 

 

Quarta fase: recobro; o livro repousa depois de operado.

 

 

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Barcelona.

por FJV, em 05.05.11

Sérgio Lavos, aqui, sobre a sua paixão e desilusão com o Barcelona FC.

«Por isso, meu caro Vila-Matas, lamento ter deixado de gostar do Barcelona. Pesaroso, lembro a minha primeira visita à cidade catalã e a romaria ao Camp Nou. Aquela grandiosidade, a popular mística, era verdadeira. Barcelona vivia o clube e eu vivia com a cidade quando via os jogos do campeonado espanhol, e sentia um gozo enorme sabendo que Guardiola era leitor de Borges e de Kafka, e que um dos meus escritores preferidos se sentava com os jogadores naquele café da Praça Catalunha de que agora não quero recordar o nome a falar de futebol e livros.»

 

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Zimler.

por FJV, em 04.05.11

Sempre me angustiou (é um pouco forte, eu sei) a obrigatoriedade de ter alguém a apresentar um livro de outra pessoa. Há autores que sabem falar do seu livro; outros não podem falar, ou não sabem falar, ou não querem falar (até por lhes faltar a paciência). As sessões de lançamento são, por isso, mais ou menos regidas por esse cânone: editor fala e agradece, apresentador apresenta, autor agradece e fala. Há variações, evidentemente. Um livro meu foi apresentado por um amigo que garantiu que o não tinha lido, o que é de uma honestidade desarmante e fatal. Às vezes há continuação da «festa», o que tanto pode exigir a presença de declamadores, recitadores e leitores em voz alta, como de corais alentejanos ou de um quarteto de cordas – acho que um quarteto de cordas é aceitável, mas o resto é despropositado a menos que se trate de um «sarau». Há casos, no entanto, em que a melhor pessoa para apresentar o livro é o autor, ele mesmo e sozinho, falando sobre o processo de escrita (uma curiosidade atraente), sobre um personagem ou sobre um tema (o tema) ou, inclusive, lá está, sobre o livro. Por isso, gosto da coragem de Richard Zimler, que irá apresentar o seu próprio livro, no dia 9, às 18.30, no El Corte Inglés de Lisboa. Richard vale por tudo.

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Bovary no Parque Eduardo VII.

por FJV, em 04.05.11

Mas Madame Bovary, ou seja, Dona Bovary, à portuguesa, também foi à Feira do Livro. Só que com outras intenções.

 

P.S. - Julian Barnes escreveu O Papagaio de Flaubert; este blog dedica-se a Bovary.

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O mercado.

por FJV, em 04.05.11

Luís M. Jorge visitou a Feira do Livro: «Ontem à noite, na Feira do Livro, encontrei semelhanças úteis entre o mercado editorial e o da produção e comércio de vinhos. Chamo-lhes úteis porque talvez possam iluminar as estratégias dos seus operadores.» A ler com atenção, sobretudo pelos «operadores».

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Johnny Depp, Jack Kerouac.

por FJV, em 04.05.11

 

 

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Posta restante. [Act.]

por FJV, em 03.05.11

Alguém pode explicar ao Ouriquense que é aborrecido estar a saltitar de página para página quando se quer ler os últimos posts? Portanto, se não te importas, volta lá a pôr os últimos, digamos, vinte posts na primeira página do blog.

 

Adenda, aos leitores: Já está.

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Tamen.

por FJV, em 03.05.11

Pedro Tamen.

Prémio APE de Poesia, 2011. Atribuído a O Livro do Sapateiro.

[Foto de Pedro Loureiro, © LER]

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Coisas estapafúrdias.

por FJV, em 03.05.11

Um pouco de teoria da conspiração e de «podia ter sido assim» a influência de Isaac Asimov em Bin Laden.

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Desaparecido em combate.

por FJV, em 03.05.11

De facto. Isto não faz espécie a ninguém? E isto, que não há meio de desaparecer das estatísticas?

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O cantinho do hooligan. De olhão (sem más intenções).

por FJV, em 02.05.11

Depois da goleada ao Villareal, tudo está preparado para a segunda mão. Pelo meio, um jogo desinteressante em Setúbal que rendeu vitória por quatro, e com um James em grande forma (e com a defesa a precisar de caldinhos), mas que serviu para dilatar a maior vantagem da história dos campeonatos portugueses; foi de olhão.

Queria, no entanto, recordar três ou quatro momentos de glória. O primeiro, de Freddy Guarín (2-1 com o Villarreal): foi, como se recordam, um golo em dois tempos, com uma primeira parte primorosa em que desviou dois adversários da linha de corrida e uma segunda parte amável e, simultaneamente, crudelíssima, em que a bola acaba por lhe ser devolvida. O resto, ou seja, o toque de cabeça final de Guarín, não faz parte do golo – é pura elegância  e capacidade de decidir numa fracção de segundo; está, sinceramente, além do golo, até porque alguém que finta a margem direita do Villarreal e se apresenta diante do guarda-redes com aquela disposição, já merece o golo. Por isso o toque de cabeça é como que o terceto final do soneto que Guarín compôs, ele que não parece poeta. O segundo (3-1 ao Villarreal), já com aquela via ligeiramente despedaçada por Hulk e transformada numa espécie de Nevsky Prospekt em tempos de revolução (Tomás, tu entendes), entra também na história; em primeiro lugar, porque o árbitro estava disposto a deixar, alegremente, que o Villareal torpedeasse os meniscos do brasuca; em segundo lugar, porque o toque de Falcao é milimetricamente seguro. Passemos ao terceiro (4-1 no mesmo jogo): um golo de ave, de quetzal, em voo ligeiramente pronunciado, empurrando o ar com o movimento do corpo, gesto de puro e indiscutível talento – só Falcao poderia tê-lo marcado diante da assembleia de incréus que veio das Espanhas, precedido da habitual fama com que os bárbaros se anunciam antes de serem derrotados. Podíamos falar do quarto (5-1), com Falcao a servir de periscópio e a fazer com que a bola atravessasse toda a área, com um empurrão de cabeça. Vamos ver na quinta-feira.

Entretanto, em Junho, ele vem, já preparado para formar no tridente de ataque. Esta sim, é de olhão.

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Uma edição.

por FJV, em 02.05.11

Passam hoje 400 anos sobre a data da impressão do primeiro exemplar da Bíblia do rei Jaime I (James) de Inglaterra. Na tradição latina o assunto pode não ter muita importância; mas, na verdade, é um marco quer para a teologia, para a política ou para a literatura posteriores (os grandes autores do cânone, em língua inglesa, seguem esta versão). Trata-se da primeira tradução integral, rigorosa e comentada da Bíblia para a língua popular, ou vernácula. A partir daí, a Bíblia passou a estar disponível para discussão, deixando de ser um texto reservado à liturgia e ao clero. Mais: pela primeira vez no Ocidente, houve uma preocupação literária e estilística na sua tradução. Ao mesmo tempo, no mundo católico da época, pelo contrário, ler a Bíblia podia ser um ato de heresia fulminante.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Imaterial?

por FJV, em 02.05.11

É uma má notícia para os dietistas e caçadores de imoralidades calóricas: a ‘francesinha’ faz parte do nosso orgulho. O sítio AOL Travel acaba declarar que ela é a oitava melhor sanduíche do mundo, uma espécie de Machu Pichu da culinária de bar. A ‘francesinha’ deve ser comida de garfo e faca, e nas dez primeiras da lista, apesar da abundância de ingredientes, só o ‘kati roll’ (de Calcutá, em sexto lugar) se lhe compara em elegância – todas as outras só podem ser comidas com manifesto prejuízo das maneiras à mesa. A ‘fast food’ portuguesa pode ser enriquecida com a ‘francesinha’, à semelhança do que a cadeia Habib’s já fez com o pastel de nata ou o bolinho de bacalhau. Podíamos, claro, chamar-lhe ‘portuguesinha’ e licenciá-la como parte do nosso ‘património imaterial’.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Perguntas simples.

por FJV, em 02.05.11

«É racional acreditar em Sócrates, quando diz que o chumbo do PEC IV, em Março, é que fez faltar o dinheiro já em Maio?

«Quando sabemos que o FMI é mais brando do que a UE, não podemos concluir que fomos enganados pela retórica de Sócrates? Que o país perdeu muito dinheiro ao não pedir o resgate mais cedo? Que se o pedisse só à UE, sem o FMI, isso apenas beneficiava o ego do primeiro-ministro?

«Se Manuela Ferreira Leite tinha razão em 2009, quando traçou um panorama negro do país, enquanto Sócrates aumentava a função pública e prometia cheques-bébé, a conclusão é que o primeiro-ministro sabia menos que Manuela Ferreira Leite? Ou que enganou deliberadamente o eleitorado, para vencer as eleições? E quem nos engana, uma vez, duas, três vezes, não nos estará a enganar agora?

Henrique Monteiro, Expresso.

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É isso?

por FJV, em 02.05.11

José Pacheco Pereira lutou, nos últimos anos, contra a transformação da política em propaganda, apoiou a tese da «asfixia democrática», falou abundantemente do «problema de carácter de José Sócrates», pediu uma comissão de inquérito sobre os negócios obscuros do PM, dá lições de «comunicação & anti-propaganda» na SIC Not, conspirou contra Santana Lopes (porque era insuportável a confusão entre interesses privados e interesses públicos, entre política e propaganda) – hoje, acha que os portugueses devem escolher para primeiro-ministro quem melhor maneja os truques e repete chavões fáceis de apreender. E que não interessa quem esteve no governo durante seis anos levando-nos até aqui, ao abismo, ao descontrole das finanças públicas, ao empobrecimento, ao desvario – interessa apenas que não seja Passos Coelho. É isso?

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