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Normal.

por FJV, em 12.03.11

É normal que o primeiro-ministro, em bicos de pés e com o dedo espetado (Durão Barroso tinha o mesmo tique), clame «pelo Estado Social» enquanto arrasa «o Estado Social», ou que diga que «é de esquerda» apenas porque diz que «é de esquerda», ou que invoque oito séculos de história para aceitar todas as imposições que lhe permitam manter-se no poder. Reconhecer que errou? Nunca.

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Índice de coisas normais.

por FJV, em 12.03.11

Por exemplo. Os correios funcionam mal. A primeira informação é a de que uma série de instruções «sobre as sanções contra a Líbia adoptadas pela União Europeia e a ONU» foram enviadas há oito dias. A segunda é a de que essas instruções ainda não foram recebidas ou, se foram, estão a ser analisadas depois dos investimentos do governo de Ricardo Salgado do BES para aplicação.

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Coisas inevitáveis.

por FJV, em 12.03.11

«As pessoas» habituam-se facilmente às inevitabilidades. Por exemplo, a inevitabilidade da União Europeia como ela é gerida hoje; à inevitabilidade de não discutir, debater e votar os tratados sucessivamente assinados em nosso nome (como se sabe, recordem bem e não se esqueçam, porque não estávamos preparados para discutir coisas tão complexas); à inevitabilidade de todas as medidas impostas a partir da União (desde, e não estou a rir, a distância entre os dentes dos garfos, a taxa de gordura dos queijos, o tamanho e forma dos legumes — até aos cortes nas reformas, às reformas das leis laborais, etc.); à inevitabilidade dos orçamentos de Estado que era necessário aprovar, caso contrário seria a catástrofe; desde há um ano, à inevitabilidade de todas as medidas de austeridade que visam tapar buracos gerados por anos e anos de despesas indiscriminadas para «construir uma política de modernidade»; à inevitabilidade dos conluios entre o governo e as grandes empresas amigas, mesmo que isso significasse esmagar os cidadãos; à inevitabilidade de todos os sacrifícios nas «políticas sociais»; à inevitabilidade nas curvas e contracurvas da propaganda, «porque todos fazem o mesmo»; à inevitabilidade da «engenharia social» na educação ou na política de família; à inevitabilidade do governo «porque todos fariam o mesmo». Isto conduziu à anestesia geral, à indiferença, à autorização daquela bonomia feliz com que se anunciam «sacrifícios colectivos» sem discussão prévia, à contemplação embevecida de todos os «porreiro, pá», ao adormecimento da própria consciência cívica que encolhe os ombros quando um acto eleitoral está manchado por erros e boicotes óbvios. «As pessoas» tornaram-se indiferentes, autorizam tudo, acham tudo «normal», pensam que tudo é banal. Quando tudo é banal, nada é banal — tudo pode ser uma catástrofe subterrânea.

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Ora aí está.

por FJV, em 12.03.11

Interrogado sobre a manifestação da «geração à rasca» (uma designação pérfida), o primeiro-ministro respondeu que compreendia bem os «problemas dos jovens» (o que é já todo um programa) e que, por isso, tinha aprovado leis como a da paridade, a do divórcio litigioso, a do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a da interrupção voluntária da gravidez. «É assim que se constrói uma política de modernidade e uma política para o futuro», concluiu.

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Alternativa zero.

por FJV, em 12.03.11

1. Se o PSD aprovar o «novo pacote de medidas de austeridade» deixará — em definitivo — de ser uma alternativa ao PS. Mas a questão não tem a ver com a «política partidária» ou a conquista do poder. O problema é, aqui, de confiança — e, mesmo que sejam necessárias mais medidas de austeridade, este governo esgotou praticamente todas as reservas de confiança. Manobrou, ocultou, tomou o Estado (a República, o País) como coisa sua, achando-se no direito de se perpetuar no poder em qualquer cenário, sem negociar (ou, negociando, faltando logo de seguida à sua palavra) aquilo que se tinha comprometido a negociar.

2. Não se pode confiar num governo que funciona desta forma, flutuante, errática, ao sabor das imposições que tem o descaramento de desmentir. Não se pode confiar num governo cuja acção desmente cada uma das suas bandeiras. Desculpar este carácter errático e sinuoso é criar a ideia da sua inevitabilidade, o que é um perigo letal para a democracia.

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