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Esticar a corda.

por FJV, em 11.03.11

Esticar a corda é uma especialidade do governo. Aqui, ali, mais umas medidas, mais outras medidas, um atrevimento ali, um atrevimento aqui. Não percebo, por isso, a indignação de tanta gente com mais este plano de austeridade. Era esperado: José Sócrates tinha-o anunciado há uma semana e meia, mas o tempo está a passar depressa demais; o ministro das Finanças anunciara-o antes, mas ninguém acredita nele. Estão indignados com o secretismo do plano? Escusam: é o resultado das exigências da União. Querem que o PSD vote contra as medidas? Escusam: o governo quer cortar no défice e tem uma arma apontada ao que lhe resta de cabeça, pelo que fará chantagem como habitualmente. E entoará a cantilena do costume: é a Europa, é a Europa que o exige, por mim aumentava salários e distribuía TGVs. É uma defesa pobre, convenhamos, quase tão indigna como a de dizer «por nós as SCUTS eram SCUTS, mas o PSD quer portagens...» Poupem na indignação, poupem na teoria da conspiração; é tudo simples, como as trapalhadas do costume – trata-se de salvar o poder a todo o custo. É gente que gosta do poder, que vive aterrada pela possibilidade de abandoná-lo. Farão tudo o que estiver ao seu alcance (e para lá desse limite). 

O Presidente da República tem, por isso, toda a razão: “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.” Precisamos de saber para que servem estes sacrifícios. Se for para pagar o défice provocado pelas asneiras, desmandos, patetices e favorecimentos deste governo, não. É isso que o PSD precisa de dizer com clareza. Ou não — mas depois é lá consigo.

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