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Senhores passageiros.

por FJV, em 02.02.11

Abençoado dinheiro público. O aeroporto internacional de Beja começará a receber turistas britânicos já a partir de abril ou maio; de Heathrow, hordas de ingleses e de outros curiosos invadirão a planície em voos ‘charters’ e não darão descanso aos melros, que agora saltitam de sobreiro em sobreiro, entre perdizes e cotovias. Beja tem muito que ver e é uma pena que os portugueses não conheçam os seus monumentos e a sua arte sacra (já não falo da gastronomia); muitos desses turistas partirão para as praias, para as barragens, para montes sossegados e isolados onde ouvirão melodias campestres e bucólicas sobre as cegonhas brancas, ou então para o porto de Sines embevecer-se diante da petroquímica. Vai ser, estimo, uma revolução cultural milionária no coração do Alentejo.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Transportes & comunicações.

por FJV, em 02.02.11

As pessoas fazem descobertas fantásticas: «Dos 231 milhões de viagens de comboio realizadas em 1988, passou-se para 131 milhões em 2009, uma redução de 43 por cento», escreve-se no Público. Umas dezenas de marretas andaram, desde a década de noventa, a alertar para o asfaltamento crescente da pátria — hoje, quem percorre a A17 ou metade da A8 até à A17, fica surpreendido com a ideia de fazer uma nova auto-estrada entre Lisboa e o Porto. A nossa orografia, assinalada desde há décadas pelas linhas ferroviárias, é hoje um pantanal destruído pelo excesso desse recurso fácil às obras públicas como instrumento «para a criação de emprego» (temporário, mau, e pobre) e «de riqueza» (para as grandes companhias), associado à indústria de camionagem e transporte rodoviário (em crise devido ao preço dos combustíveis). O que é assustador é, além disso, o fio da navalha em que tudo isto está; recuperar as velhas vias férreas históricas parece impossível diante das «obras em curso» a esventrar montanhas e a semear viadutos caros em aldeias sem população que se veja. Ah, Camilo, quem te dera a ti um comboio que fosse, a substituir a pobre liteira.

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