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Frankfurt.

por FJV, em 06.10.10

A Feira do Livro de Frankfurt abriu hoje as suas portas; com a crise económica e as convulsões tecnológicas, são portas cada vez mais estreitas. Antigamente, sem mail nem a rapidez das comunicações, era uma feira “mais necessária”; hoje, os negócios fazem-se pela internet e as novidades circulam diariamente sem esperar pelo mês de outubro. No entanto, para lá das vaidades (cada vez mais caras, cada vez mais raras), há coisas que os editores têm em comum com os amantes de livros: o olhar. Olhar nos olhos, olhar nas páginas. Olhar um livro. Estão aqui 12 quilómetros de livros disponíveis – mas não interessam muito. O que Frankfurt hoje significa é isso: encontrar alguém que acredite num livro, num deles – e nos comunique esse entusiasmo. Essa é, ainda, a grande novidade.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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É fazer as contas.

por FJV, em 06.10.10

Não tenho tempo para isso, mas seria interessante & produtivo analisar as declarações e juramentos dos ajudantes que, ainda há dois meses, insultavam quem fazia «uma leitura pessimista» (um eufemismo...) da situação económica — e agora se apressam a festejar a clarividência do chefe, que quer restaurar a confiança dos mercados, a confiança dos portugueses, a confiança da UE, a confiança das universidades americanas, a confiança dos alfaiates, a confiança, enfim (sobretudo porque poucos têm, já, confiança nele). E que, num arroubo sem premeditação e graça, diz — ao mesmo tempo — que daqui a uns meses vamos regressar ao TGV e ao «investimento público» (outro eufemismo). Há, na verdade, quem pense que governar é gerir dinheiro que «cai do céu» (outro eufemismo), gastá-lo abundantemente, endividar-se com generosidade em nosso nome — e manobrar para manter o poder a todo o custo, porque fora «do círculo do poder» (outro) não têm existência. Há. Mas o pior é que há gente que acha isso aceitável e normal.

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Dos Passos.

por FJV, em 06.10.10

No fim de semana passado, num alfarrabista, comprei Três Soldados, um romance 500 páginas em muito bom estado e por apenas 6€. Faltava-me esse livro à lista dos títulos de John Dos Passos (1896-1970), sobre cuja morte passaram agora 40 anos. Dos Passos (além de ficcionista, foi jornalista, pintor e poeta) não faz parte da nossa galeria de leituras hoje em dia – o que é uma pena. Não apenas pela sua origem portuguesa (ele era um dos descendentes dos madeirenses do Ilinóis), mas também por ser um dos grandes nomes da Geração Perdida americana (com o pormenor de não ter caído nas armadilhas políticas de que Hemingway padeceu), e autor de Manhattan Transfer ou Paralelo 42 (publicados pela Presença), entre mais de cinquenta livros. A sua raiz portuguesa devia interessar-nos.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Freedom.

por FJV, em 06.10.10

Freedom, de Jonhathan Franzen, foi anunciado como o grande romance americano da década. Comecei a folheá-lo num voo sobre o Atlântico que nos separa da América, mais do que da sua cultura – o retrato não é assim tão genial, mas é conhecido: uma classe média triste, desiludida ou apenas pantomineira e imatura, a viver nos subúrbios, como nos livros de Updike ou Yates. O que é curiosa é a sua, digamos, “mensagem”: os grandes valores americanos foram sendo destruídos e falta “espiritualidade” (visível na crítica de Franzen aos seus próprios personagens) à vida dionísiaca dessa classe média. É um retrato da geração que toma comprimidos para impedir o caos da sua vida, ou que sucumbe diante da necessidade de fazer escolhas. Lá como em outro lado, a vida não esta fácil.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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