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Tratactus.

por FJV, em 06.09.10

Centros escolares e agrupamentos escolares; parecem, respectivamente, quartéis de acolhimento e pelotões a marchar. Primeiro, os estudantes e alunos passaram a ser «aprendentes»; os professores eram docentes e os alunos discentes; os liceus e escolas passaram a ser «estabelecimentos de ensino». Inventou-se a «comunidade educativa» onde cabia toda a gente que sabia juntar sujeito e predicado, mesmo que se esquecesse do complemento directo. Da interdisciplinaridade passou-se às «componentes do currículo de natureza transversal» que reforcem «projectos de cidadania global» e (não estou a brincar) «vivências de exercício da cidadania nos diferentes espaços curriculares, disciplinares e não disciplinares, bem como nos contextos extracurriculares e não formais», mesmo que não seja nos «Territórios Educativos de Intervenção Prioritária». Daí até aprovarem que os professores cantassem o «Malhão, malhão» para promover o Magalhães, foi um passo.

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Não é uma grande tirada.

por FJV, em 06.09.10

Cavaco apelou à «coesão e união de esforços», pedindo aos portugueses que «ponham de lado as divisões». Se fosse isto, assim, a seco, eu concordaria com as várias posições entretanto manifestadas – e com inteira razão. Não há nada pior do que uma boa alma pedindo união nacional, patriotismo a rodos, penitência & purgatório enrolados na bandeira, saudações à boa vizinhança das hortas, enfim, o rol de coisas tão estimáveis pelos medíocres de todas as tendências. Fui ver a notícia, reproduzida com base num despacho da Lusa. Ora, parece que Cavaco falava nos «50 anos das Operações Especiais e os 171 anos de presença militar ininterrupta em Lamego» (o meu calvário que não chegou a sê-lo por inteiro); em 2576 caracteres, a Lusa despachou o assunto militar, mais uma visitas a bombeiros e «centros escolares» (uma designação apoteótica, «centros escolares», uma espécie de «parque empresarial» destinado a salsicharia); e em 358 caracteres, a abrir, por causa da irrelevância, lá mencionou a necessidade de união, mãos dadas, todos cantando e rindo, seja o que for. Não é uma grande tirada, não; mas daí até à capitulação vai uma grande distância.

Esse é um problema — se se trata da aprovação do Orçamento de Estado, a conversa é diferente. Mas não era disso que estavam a falar, pois não?

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Um bom delírio.

por FJV, em 06.09.10

Quando publiquei Um Crime Capital, em 2001, uma das críticas da época referia que o comércio de obras de arte falsificadas, pelo menos em Portugal, era «um bom delírio» de ficcionista, mas «com pouca sustentação – o que importava era o argumento, propriamente dito». No livro, obras falsificadas de pintores brasileiros (Tarsila, Anita Malfatti, Lasar Segal, Di Cavalcantti, etc.) passavam «um estágio» em Portugal antes de reembarcarem para o Brasil. Parece-me que, pelo menos, se tratava de «um bom delírio».

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Série Literatura Geral. Bibliotecas Cheias de Fantasmas.

por FJV, em 06.09.10

 

Nine Horses, «The Librarian»

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