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O polígono estratégico: Cerveira, Caminha, Moledo, Vila Praia de Âncora.

por FJV, em 12.07.10

De cada vez que regresso de Cerveira, Caminha, Moledo, Vila Praia de Âncora — um polígono estratégico da minha vida (Longe de Manaus termina em Vila Praia de Âncora, O Mar em Casablanca termina em Moledo) —, agradeço muito à palermice dos portugueses que vão para lugares onde se acotovelam entre nuvens de transpiração e mosquitos, e onde não podem respirar o ar do fim de tarde em Âncora ou nos pinhais e dunas de Moledo. Também mencionaria as «neblinas matinais» e o Forte da Ínsua visto do areal, enfrentando o monte de Santa Tecla. Fazem bem. Desta vez desci para Cerveira pela serra e, depois de uma tarde magnífica (apenas suspeitei, lá atrás, a ilha da Boega), fui levado por Caminha, Moledo, até Vila Praia de Âncora. Só faltou parar na feirinha para comprar travessas de barro, colheres de pau (que estão proibidas) e umas cutelarias de Guimarães. Depois, mão divina levou-me à mesa, para uns mexilhões frescos fantásticos (sem nenhum «molho à espanhola», apenas com limão, pimento, cebolinha e um fio de azeite), um polvo que não adivinha jogos de futebol, umas amêijoas robustas, tensas, que nunca fizeram regime — e um robalo pescado à linha. Podia dizer-vos qual foi o vinho branco, mas seria injusto e quero reservar umas caixas para a próxima temporada (divisei, mas não tive tempo para a função, uma garrafinha de aguardente, branca, puríssima, enevoada, que ia bem com o charuto). Barracas de praia no areal. Praças com esplanadas para beber café e Água das Pedras com gelo e limão. Jornais portugueses e estrangeiros. Gente nobre, luminosa e com quem dá gosto conversar, daquela que não se esquece. Histórias do Minho, do meu polígono estratégico. Moledo com a arte e a ironia de António Pedro. Folhagem de árvores junto da praia. Ide, ide, ide para as Caraíbas, ide para Punta Cana. Ide para longe.

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Stop the press! Já cá faltava.

por FJV, em 12.07.10

Joe Berardo acha que a única solução é «nacionalizar tudo e começar tudo de novo». Podíamos começar pela sua coleção de arte. Daqui a uns anos faziam-se as contas e tal.

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O estrado das artes.

por FJV, em 12.07.10

O Diogo Belford enumera aqui alguns pontos negros da actividade dos dois governos PS em matéria de cultura. Tem razão. Do ponto de vista da estabilidade, três ministros podiam fazer melhor. Não se sabe é se podiam, ainda, fazer pior. A questão é, no entanto, muito mais vasta — e não tem a ver com as nomeações e demissões mal anunciadas ao longo destes anos. São pormenores num mapa de maus feitios, incompatibilidades, má execução de políticas, excução de más políticas — e indefinição sobre o papel do Estado na cultura. Mas isso deve discutir-se mais tarde. O problema é que, sobre as instituições que o Diogo nomeia, não há uma definição precisa dos respetivos cadernos de encargos. Para que serve um teatro nacional (que deve existir) e que repertório deve apresentar? De que forma deve ser gerido e dirigido o teatro de ópera? Que contrapartidas devem oferecer — ao público — as companhias de teatro apoiadas pela Direção-Geral das Artes? Pode o MC confiar em alguém que diz que gostaria de mudar o Museu Nacional de Arte Antiga para um edifício «mais moderno»? Pode alguém confiar em quem anunciou vários museus (o da Língua é um bom exemplo, mas há mais) só porque lhe agradou a existência de um, semelhante, que viu noutro lugar? Tem, ou não, o MC, autoridade para negociar (influenciar, negociar — não impor) um repertório clássico fundamental no teatro e na música? Pode o MC continuar a apoiar o cinema, da forma como tem feito, sem ter acesso ou poder verificar, com rigor, o destino do seu investimento (incluindo, claro está, a avaliação da forma como algumas «empresas associadas» cumprem ou não as suas obrigações)? Podem as câmaras municipais continuar a financiar ilegalmente (e violando os princípios mais básicos da independência das instituições públicas) a «música comercial»? Pode o MC continuar a formular «políticas» sem a colaboração — que lhe devia ser prestada — do Ministério da Educação e do Ministério dos Negócios Estrangeiros? Pode a «política da Língua» definir-se sem a participação, permanente, do Ministério da Educação, da Biblioteca Nacional, da rede de leitura pública, do Ministério dos Estrangeiros, da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas, da rede de leitorados portugueses no estrangeiro? Pode o Estado português continuar a financiar um numeroso grupo de incompetentes, pusilânimes e indigentes herdados das várias formações da CPLP, onde se tem investido o dinheiro que há e, sobretudo, o que não há? Pode o MC subscrever um documento sobre a «política da Língua» onde, nos seus quase 100,000 caracteres, não se encontra a palavra «livro»? Pode um MC, depois disto, permitir-se anunciar a colaboração de empresas de «obras públicas» (como foi feito há mais de um ano) na recuperação do Património edificado – e haver monumentos nacionais em risco enquanto se fala do «Museu da Viagem»?

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