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Nenhum ensaio sobre a cegueira.

por FJV, em 05.01.10

Não sabemos se Jorge Luis Borges escreveria de maneira diferente caso não tivesse cegado. O que ele teria lido. Como ele teria amado Buenos Aires, onde nasceu e viveu. Como ele teria amado Genebra, onde morreu. A cegueira, que é um dos nossos grandes pavores, foi total em Borges aos cinquenta anos. Em Louis Braille, cujo centenário se assinalou ontem, foi aos três anos – a criação de um alfabeto ou código para cegos constituiu uma das grande aventuras da humanidade e merece ser relembrado como um avanço indiscutível na nossa sensibilidade ao sofrimento dos outros. Braille imaginou o seu código associando-o à linguagem musical, o que já diz muito da beleza desconhecida que ele transporta. Com a obra de Braille ficámos, todos, mais humanos. Mais sensíveis. Visíveis.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Alcoolismo.

por FJV, em 05.01.10

O CM de anteontem dava conta de uma preocupação aparentemente nova acerca do “comportamento alcoólico” das novas gerações – muito mais de acordo com os excessos do norte da Europa do que com os velhos padrões mediterrânicos. Só por distração. Há justamente um ano, nesta coluna, chamei a atenção para o moralismo das autoridades, que perseguiam fumo e colesterol nos restaurantes evitando a fiscalização de bares onde adolescentes e crianças, de 12 anos, por exemplo, entravam em coma alcoólico com vigilância policial à porta. É o que sabemos: beber, um ato convivial e civilizado, transformou-se na pedrada que sabemos. O meu pai, um cavalheiro, detestava (com a mesma intensidade) gente que se embebedava e gente que não bebia. As nossas autoridades, por seu lado, só gostam de coisas trágicas.

[Na coluna do Correio da Manhã]

 

 

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Contabilidade.

por FJV, em 05.01.10

As contas portuguesas dão sempre resultado incerto. No papel, os resultados são positivos e apaixonantes; durante a realização dos projetos, há um desacerto total – os proventos não chegam, os gastos disparam e todos nós empobrecemos mais um pouco. Foi assim sempre, mas sobretudo na época da embaixada de D. Manuel ao Papa, um dos episódios mais pífios da nossa sede de gastos. Vejam-se os estádios de futebol (sobras do Euro 2004): neste momento, há pelo menos três autarquias que gostariam de deitá-los abaixo porque estão a ficar caros demais. Gostamos de ser otimistas por obrigação. Por isso, no último dia do ano, limitemo-nos a não fazer contas mas a pensar no assunto: nos EUA há mais bibliotecas do que McDonalds; em Portugal há mais estádios do que bibliotecas.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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