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Mário Barradas (1931-2009)

por FJV, em 20.11.09

Há muitos anos, o Inverno de Évora era muito silencioso — foi numa dessas noites que nos encontrámos nas arcadas, perto da Praça do Giraldo; estávamos os dois sozinhos e percorremos aquelas ruas que estavam no mapa habitual dos noctívagos. Nessa noite convenceu-me a escrever uma peça para o Centro Cultural de Évora. Eu não gostava de teatro. No dia seguinte telefonou-me para a universidade e perguntou-me: «Já está pronta?» Comecei a escrevê-la nesse mesmo dia e, uns meses depois, estava em cena no Teatro Garcia de Resende, não apenas com  um notável grupo de actrizes (a peça era apenas para mulheres) mas também com a encenação de Luís Varela (o Mário adoecera entretanto). A voz, ele tinha uma voz magnífica – todos os de Évora recordam como, nos recitais episódicos, ele dizia a poesia de Nemésio, a de Eu Comovido a Oeste. Era ainda o seu lado açoriano, aquele que não se esquece. Em Lourenço Marques incluí-o como personagem. Encontrámo-nos várias vezes num teatro, num lugar ou noutro. Mas recordarei sempre essa noite do Inverno de Évora. E a sua voz.

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