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Transparency.

por FJV, em 19.11.09

Portugal caiu no índice da Transparency International dedicado à percepção da corrupção – do 32º lugar, desceu para 35º (entre 180 países). Não é muito. Nos corredores das polícias e dos tribunais não se fala de outra coisa, como se a tivessem descoberto agora mesmo. Como sou moderadamente conservador, a coisa não me aflige. Lendo Camilo e Eça, para não ir mais longe, a coisa está lá, armada e integrada no código genético da tribo. Mário Soares, para desculpar os seus, chama-lhe coisa comezinha. É a opinião do português médio, para quem um “arranjo” se resolve com outro, desde que não toque na casta nem na família. Com tantos juristas aos saltinhos, fingindo preocupar-se com a lei para não ferir os amigos, suspeito que no próximo ano desceremos ainda mais no índice.

[Na coluna do Correio da Manhã]

 

 

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Nada de novo.

por FJV, em 19.11.09

O grande romance sobre o amor apaixonado entre duas mulheres é português e escreveu-o Agustina Bessa-Luís em 1989. Leva o título Eugénia e Silvina e é um notável retrato sobre a culpa e o processo judicial que decorreu (em Viseu) em redor do caso. Na época, o romance passou despercebido e ao lado dos debates que hoje estão na ordem do dia – Agustina era “reaccionária”, “de direita” e vivia longe da gritaria. Hoje, vejo na televisão debates sobre a homossexualidade com gente que acha que descobriu a pólvora cívica. Sexo e política nunca se deram bem, ainda que se conheçam à esquerda ou à direita. A arma dos intolerantes é chamar homofóbico a quem, reconhecendo o direito à união entre homossexuais, não dispare foguetes ou tenha dúvidas. Ontem como hoje. Vem na literatura.

[Na coluna do Correio da Manhã]

 

 

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