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Estádios, eventos, espectáculos, dinheiro.

por FJV, em 22.10.09

Uma das notícias de ontem foi a dúvida da população de Aveiro: parece haver uma proposta para a demolição do Estádio Municipal, construído para o Euro 2004, porque manter aquele monstro é um encargo que a Câmara não pode suportar ou que os munícipes de Aveiro têm de pagar. Tal como o de Aveiro, também o do Algarve e o de Coimbra têm explorações negativas. Trata-se de uma das formas do célebre “investimento público em eventos”. Se não há futebol, haverá concertos; se não houver concertos, arranjam-se concentrações de grupos religiosos; e se não houver nada disso, avança-se para a demolição. Um país de eventos e de investimento público é um país que corre para a frente. Com toda a gente a assistir ao “evento”, naturalmente. Ora, de onde vem o dinheiro para pagar o bilhete?

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Cidadania.

por FJV, em 22.10.09

Temos uma má relação com a polémica. José Saramago disse sobre a Bíblia e as igrejas uma série de coisas previsíveis e houve quem lhe respondesse e ripostasse – nada de mais natural e saudável. É só literatura. Mas houve quem avariasse e tivesse perdido a cabeça de repente: Mário David, eurodeputado e vice-presidente do Parlamento Europeu pediu a Saramago que “fosse consequente” e abdicasse da cidadania portuguesa porque as suas opiniões ofendem Mário David. O dislate não se compreende. Assim, de cada vez que as opiniões de alguém “ofendessem os portugueses”, lá teríamos de lhe pedir para devolver o passaporte. Não. Saramago tem todo o direito de dizer o que disse, mesmo que sejam banalidades. E nós de discutir forte com ele. É isso que nos permite viver uns com os outros, pensando coisas diferentes.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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