Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Um achado.

por FJV, em 01.10.09

Veja-se este post. Mas antes, leia-se este texto:

 

«Estamos perante um acto nojento do ponto de vista ético e deontológico da profissão: a publicação de conversas constantes de material roubado, pertença de outro jornalista e que quem publica não sabe em que conjuntura se desenvolveram ou até que ponto relatam com autenticidade o que ambos os interlocutores disseram.»

 

Quem é o autor?

Autoria e outros dados (tags, etc)

A praxe. Uma definição.

por FJV, em 01.10.09

«A cidade iniciou um festival em que reses urram pela rua. Parece que é da praxe este lamaréu de miolos e pintelhos.»

Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esquerda, direita?

por FJV, em 01.10.09

O mais belo texto sobre a esquerda é, como de costume, de Luís Januário.

 

«De facto a esquerda é utópica. A esquerda é qualquer coisa em que é impossível acreditar. Assim como um amor que durasse para sempre. A direita é natural. A esquerda é sobrenatural. A direita é uma coisa conhecida: o curso de direito, uma bebedeira ao fim-de-semana, uma bofetada do marido, um quadro do Cargaleiro, uma homilia de domingo, o Expresso, a crónica do Marcelo, os lucros do Belmiro e a nossa inevitável pobreza, as festas da Hola, os filmes da Lusomundo, a literatura internacional e a comida do Eleven, a hipertensão e a obesidade. A esquerda é a nacionalização do petróleo, um curso de enfermagem veterinária, um bellini ao fim da tarde em Corso Como, o esplendor das línguas, a pele secreta que as mulheres do Ocidente revelaram no final do século, a música de Arvo Part e Marilin Crispell e Christina Plhuar, os romances de Bolaño, Sebal - a esquerda tem tendência a ter um êxito póstumo -, VilaMatas, Coetzee, o design de Laszlo Moholy-nagy, o testamento de vida , os legumes no wok, o vinhateiro que resiste no Mondovino.»

 

O problema é que não é exactamente assim. Vamos fazer um teste, Luís?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Episódios de uma campanha alegre.

por FJV, em 01.10.09

O presidente da República não foi eleito para beneficiar qualquer partido durante as suas campanhas e não acredito que Cavaco tenha ajudado Manuela Ferreira Leite de nenhum modo. Foi eleito para defender essencialmente duas coisas: a Constituição e a Liberdade. Foi para isso que votei nele. O «episódio das escutas» não está esclarecido, é certo, mas convém prestar atenção ao que o Presidente disse e não ao que os partidos (PSD incluído) disseram sobre a sua comunicação  – negando «qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante». Está lá. Mal o Presidente terminou a sua comunicação, todos os partidos, sem excepção, mencionaram as escutas. Isto é falar alhos e responderem com bugalhos. São duas coisas diferentes.

O PSD ficou ressentido – é normal, uma vez que precisa de continuar a arranjar um bode expiatório para a anormal incompetência que demonstrou durante a campanha eleitoral que conduziu o partido a uma derrota merecida e justa. O PS respondeu com uma longa enumeração de episódios que não têm a ver com a comunicação do Presidente (e sim, creio, com um texto publicado num jornal), nem com a acusação que o Presidente deixou ao PS: a de ter havido dirigentes do partido que mencionavam a colaboração de assessores do Presidente na elaboração do programa do PSD, e «exigiam explicações». Essa era, aliás, a consequência natural dos anteriores ataques ao PR, vindos de sectores do PS depois da questão «do estatuto dos Açores» e de outros vetos «menos populares», em que Carlos César se distingiu especialmente. O Presidente era um incómodo e seria útil não só relativizar o seu poder mas, também, diminuí-lo aos olhos do eleitorado como um actor secundário, manobrando nos bastidores de um partido, à semelhança, aliás, do que fizeram Eanes, Soares e Sampaio.

Nem Soares nem Sampaio foram assim atacados por um partido ou com a cobertura do primeiro-ministro desse partido. Cavaco não estava ali para assinar de cruz; estava ali para ser a garantia da Constituição e da Liberdade. O que estava em causa, nesses ataques, era então e é hoje, pura e simplesmente, a luta pelo poder, que vai além das eleições legislativas e que se estende pela próxima legislatura. Nesse sentido, não passa despercebido a ninguém que um Presidente enfraquecido seria óptimo para lidar com um governo minoritário; enfraquecê-lo, então, seria a primeira das tarefas.

 

Segundo ponto: o que o Presidente devia ou não dizer. Todos parecem de acordo (do PSD ao BE, ou justificando a derrota de uma estratégia eleitoral, ou preparando o caminho para Manuel Alegre) com aquilo que o Presidente devia dizer. Acontece que o Presidente não está ali para dizer o que os partidos entendem que o Presidente deve dizer, mas para dizer o que ele quer dizer. Em nome daquilo para que foi eleito.

 

Terceiro: o Presidente tinha de prestar esclarecimentos agora, um vez que – erradamente – não o fez antes das eleições. Para quem esperava denúncias espalhafatosas, uma pena; para quem esperava um thriller alimentado por divulgações de mails, uma pena. O fenómeno do jornalismo interpretativo, recheado de fontes anónimas, fontes denunciadas ou fontes inexistentes, adoraria prolongar o número; mas não há mais nada. Há uma questão ainda: se o Presidente é acusado (e não há dúvida nenhuma de que foi), é natural que se defenda. À direita, isto soa mal porque, condicionada pelo próprio debate inaugurado à esquerda, se entende que isto é pura intriga. Não é. É política, é divergência e é natural. E é natural que o Presidente reagisse. E é bom que a sua reacção tivesse sido antes da formação de um novo governo.

 

Quarto: o afrontamento com o Presidente é uma das etapas desta legislatura. O facto de o Presidente não ter assinado de cruz tudo o que tanto o PS como o jornalismo interpretativo achavam ser óbvio e maravilhoso, faz dele uma garantia dos cidadãos e não um comparsa para a luta pelo poder.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Polanski.

por FJV, em 01.10.09

Toda a gente tenta fingir que se trata de um escândalo e eu aviso: não acho. Não tenho opinião definitiva e gosto moderadamente da obra de Roman Polanski. A sua detenção está a chocar meio mundo e a indignar diplomacias paralelas e “gente da cultura” – que pedem a sua libertação imediata. Eu também acho que era bom termos Polanski cá fora. Infelizmente, por motivos puramente legais, isso não é possível: cometeu um crime e reconheceu-se culpado. Corre o risco de ser extraditado para os EUA, de perder uma batalha legal e de passar largos anos preso. O problema é esse meio mundo que pede a sua libertação “em nome da cultura”. E se, em vez de Polanski, fosse outra pessoa qualquer a ser acusada de ter violado uma rapariga de 13 anos? Também seria libertado “em nome da cultura”?

[Na coluna do Correio da Manhã]

Autoria e outros dados (tags, etc)



Blog anterior

Aviz 2003>2005


subscrever feeds