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Espanha.

por FJV, em 17.09.09

Como vivi junto da fronteira durante anos, comecei a falar espanhol desde cedo. Em Espanha comprávamos jeans, Coca Cola (proibida no salazarismo) e a Playboy, além de outras utilidades que não vêm para o caso, como cigarros mais baratos e bons vinhos. Além disso, havia a arte, as universidades, o estilo de vida – tudo melhor do que aqui. Grande passado, grande literatura. Quando Espanha nos interessava, íamos a Espanha. Quando deixava de nos interessar, eles que viessem. Foi assim durante anos. A verdade é que, desde há muito tempo, precisamos de Espanha para nos compararmos com alguém e para mantermos a nossa desconfiança histórica. Espanha é picante. Espanha separou-nos da Europa e aproximou-nos dela. Está ali, ao lado. É bom, por isso, que se mantenha ali, ao lado.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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O retorno do trágico.

por FJV, em 17.09.09

O trágico regressa à nossa vida; esperamos por ele com o Outono e damos-lhe um nome: Gripe A. Podem reler-se as páginas de ‘A Peste’, de Albert Camus, para compreender como a ameaça é real – tanto para o corpo como para a relação com os outros. Lavar as mãos, usar desinfetantes e arejar as casas são recomendações que soam a pouco, mas inevitáveis. O perigo é mais autêntico a partir desta semana, com o regresso às escolas e a “normalização” da vida das famílias, que não podem deixar de evitar nem o vírus nem o medo, que ainda são invisíveis a olho nu. Nestas circunstâncias, o debate sobre o pessimismo e o otimismo não tem razão de ser; vivemos debaixo da ameaça, do risco iminente. A nossa civilização desconhece a ideia de “perigo iminente”; aprende a viver com o trágico.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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