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«Flor de fletxa», Joan Brossa

por FJV, em 30.09.09

 


 

Embolcallen amb vels goig i tristesa.
Són sostre d'una xarxa de perfum,
són els ventalls, amor, del meu costum
i serveixen d'espasa a la sorpresa.

 

M'agraden quan alegen entre el fum
o quan remouen brins de senzillesa;
les teves mans són alegria encesa
i fulles d'un pomer al clar de la llum.

 

Castellets de l'amor. Flames de ploma.
Són banderetes del teu parlar. Són
i toquen sense pes, clares d'un món

 

que tu modules des dels teus Bagdads.
Respires per les mans, amor. Són poma
i estel saboner quan renten els plats.

 

Joan Brossa [Barcelona, 1919-1998]

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Notícias da vanguarda.

por FJV, em 30.09.09

 

A notícia não é dada nem numa gazeta conservadora nem num jornal esquerdista; vem na 'Publishing Perspectives', uma revista especializada em edição: a Venezuela avança para o seu Plano de Leitura Revolucionária, concebido como "acto coletivo sob os valores e princípios fundamentais do socialismo revolucionário". Como é que isto se faz? Através dos Esquadrões Revolucionários da Leitura que actuarão nas escolas, nos sindicatos, nos serviços públicos, e que promoverão a leitura de uma lista de 100 livros escolhidos pelo governo com base no "fortalecimento da identidade latino-americana e anti-imperialista" e desenvolvendo "uma ética baseada na cultura e educação socialistas". Entre os textos está a epistolografia amorosa de Bolívar, mas também obras de Romulo Gallegos Rubén Darío, José Martí, Guevara, Fidel Castro e teóricos do chavismo. Ainda bem.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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A linguagem dos guindastes, 3.

por FJV, em 29.09.09

A noite das vulgaridades: é triste ver políticos agarrados a recortes e fotocópias de jornais para tentar levar vantagem. Afinal, sempre dependem das páginas dos jornais.

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A linguagem dos guindastes, 2.

por FJV, em 29.09.09

Outra das não-novidades desta noite: falar de alhos e responder com bugalhos.

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A linguagem dos guindastes.

por FJV, em 29.09.09

A outra expressão deliciosa que acabo de ouvir, sempre acompanhada daquele ar pesaroso (é o Mário Bettencourt na televisão), é aquela ainda mais divertida: «...o regular funcionamento das instituições democráticas.» 

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Mais um episódio.

por FJV, em 29.09.09

Não sei que jornalista fez uma pergunta divertida a Pedro Silva Pereira no final da leitura do comunicado do PS, mas teve graça. Era qualquer coisa como isto: «Será que acabou a cooperação estratégica?» Estas perguntas têm graça.

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Derrotados de todo o mundo, estais identificados.

por FJV, em 29.09.09

Vital Moreira acha que os resultados eleitorais de domingo configuram uma «derrota da TVI e da SIC, do Sol e do Semanário, do Correio da Manhã e do Público, e tutti quanti.» Assim, caro Vital, é fácil fazer amigos. Espero que os resultados não signifiquem, por seu lado, a vitória da RTP, da TSF, do Diário de Notícias, da Antena Um, do Jornal de Notícias, do Canal Hollywood, do Acção Socialista e tutti quanti.

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Chávez e Kadhafi.

por FJV, em 29.09.09

Isto também merece estudo: Chávez e Kadhafi, em Caracas, pedem para «acelerar uma conferência internacional para definir o conceito de terrorismo».

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Não há pecado a sul do equador.

por FJV, em 29.09.09

 

Este é um caso para estudo: cumprem-se hoje 60 dias de censura pública e oficial sobre o Estado de São Paulo. Desde 31 de Julho que o jornal está proibido de dar informações sobre a operação policial em que estão implicados José Sarney e Fernando Sarney. Há sempre um juiz que faz um jeitinho.

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Amin Maalouf.

por FJV, em 29.09.09

Olha quem defende a restauração da monarquia no Afeganistão.

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Honduras e Colômbia.

por FJV, em 29.09.09

De acordo: a chavização da direita na América Latina. E o referendo para o terceiro mandato de Uribe.

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Surdez.

por FJV, em 29.09.09

Cerca de dez milhões de europeus podem ficar surdos se continuarem a ouvir música com o volume demasiado alto nos “fones”. Considerando que há cerca de 100 milhões de europeus que diariamente ouvem música em leitores de mp3, e que se venderam cerca de 240 milhões desses aparelhos no ano passado, os números nem são muito aterradores. De qualquer modo, a União Europeia prepara legislação sobre o assunto para obrigar os fabricantes a reduzir a os decibéis à partida e para impedir que sejamos agredidos diariamente pelo som dos outros. Por um lado, parece uma preocupação justificada; por outro, não sei, não sei: a ideia de esses 10 milhões de patetas ficarem surdos é muito atraente. Pode ser perverso e cruel (e é), mas seria uma maneira de os impedir de ouvir aquela gritaria.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Góticas.

por FJV, em 29.09.09

Parece que o primeiro-ministro Zapatero tinha feito um acordo com a imprensa para que não fossem publicadas fotografias das suas filhas. Legítimo. Porém, Zapatero foi a Nova Iorque e levou-as, juntando toda a prole num retrato com Obama e mulher. A fotografia foi parar à net e disponibilizada no sítio oficial da Casa Branca. Zapatero não gostou e pediu para retirarem a foto quando ela já andava pela net, mostrando a família, incluindo as duas filhas, góticas e com botas Doc Martens. Uma coisa é proteger a família, e o primeiro-ministro espanhol tem todo o direito de o fazer; outra, diferente, é ser fotografado com Obama e impedir que a imprensa transcreva o ato público. As raparigas ficam bem: góticas, de negro, limpam a imagem de boneco de plástico de Zapatero.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Amanhã.

por FJV, em 27.09.09

 

[Actualização.]

1. O Partido Socialista ganhou as eleições porque foi o partido mais votado, ainda que tenha descido em relação a 2005. O argumento de que perdeu a maioria absoluta é bom para discutir a seguir, mas não vai além disso para efeitos práticos. No restante, perdeu votos e não foi «a vitória extraordinária» prometida ou anunciada.

2. José Sócrates teve uma máquina eleitoral a funcionar em pleno, bem alimentada e impecável para ganhar eleições. O PSD desprezou a sua e desperdiçou pontos. Longos dias têm cem anos, mas até chegar lá há muitas contas a ajustar. Depois das autárquicas, e com toda a legitimidade.

3. O PSD começou a descer mal a campanha eleitoral começou. O que significa que a vida é como é, e que para ganhar eleições é preciso ir disputar votos. Dito assim, soa mal; mas não há volta a dar-lhe.

4. O CDS, se não correr a pedir juros, pode transformar-se no partido essencial da direita. Não pode desperdiçar esses votos com a tentação de chegar ao poder a qualquer custo. É justo dizer que foi um dos vencedores claros destas eleições. Acho, aliás, que foi o principal vencedor da noite.

5. O BE cresceu mais (duplicou os votos); o PS não pode esquecê-lo. Podem afinar as canetas nas redacções, porque o BE vai deixar de estar acima de qualquer suspeita. Depois de ouvir o discurso de Louçã, convém estar atento.

6. A CDU manter-se-á.

7. Pacheco Pereira está invisível até agora. Não se percebe porquê.

8. Um governo minoritário é bom para o país.

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Dieu est un fumeur de Havanes (Serge Gainsbourg e Catherine Deneuve).

por FJV, em 26.09.09

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A estupidigentsia.

por FJV, em 26.09.09

Caro João: pela parte que me toca, acho que tenho de agradecer-te a nota sobre a estupidigentsia. Não sei o que é pior nela: se o que dizes, se o ressentimento. A quantidade de livros publicados em 2004, e que tu registaste, deve ser assombrosa a avaliar pelo cuidado  com que vigias a estupidigentsia, à espera que ela se entusiasme com qualquer coisa. Se a estupidigentsia se atira a um livro e se o acha bom, estás aí disponível para o combate, porque os outros, sejam quantos forem, não passam de idiotas ao pé de ti. Há livros de há dois ou três séculos que espero descobrir ainda, mas suponho que isso não te comove, uma vez que não passaram pelo teu crivo, que eu sei que é culto, atento e minucioso (não estou a fazer ironia). O ressentimento é o pior dos motivos, mas acredito que não te faça diferença. Compreendo que a «unanimidade» (ou uma «percentagem» próxima disso) te incomode, mas isso não justifica tudo, nem serve de critério. É verdade que antes de ler este livro existem milhares de outros que já estão disponíveis nas estantes há muito tempo, mas não se pode fazer grande coisa a esse propósito. Talvez publicá-los entretanto, quem sabe. De vez em quando aviso-te.

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Almocreve.

por FJV, em 26.09.09

Dois posts: este e este. Masson no melhor do pódio.

(Apenas trocaria a posição de melhor tv e pior tv.)

 

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Esta Voz é Quase o Vento

por FJV, em 26.09.09

 

Quando penso neles,

há um livro que abre as suas páginas.

Uma persiana desce,

o pássaro das lezírias parte para longe das

palavras.

 

Há palavras que matam.

Há um livro onde os amigos vivem para

sempre,

emoldurados pela luz cega das orquídeas.

 

Há dez mandamentos sobre a evocação dos

seus dias.

Há um martelo que golpeia os cravos da sua cruz,

um machado de pedra negra que reflecte a sua mágoa.

 

Quando penso neles,

parece que chove.

Chove sempre nas praças vazias e é domingo

outra vez.

Então os cães dormem nas quintas ao abandono.

Todos partiram.

Só os amigos me esperam do outro lado do céu.

 

Quando penso neles,

há um rasto de ternura sobre a neve e sobre a lava,

há um anel de aço que aperta a garganta,

as suas cordas de som,

e a neblina é mais densa.

Há um cântico, um segredo que recomeça nas

vogais do nome, e já não é nada.


José Agostinho Baptista

Esta Voz é Quase o Vento

Assírio & Alvim, 2004

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Os livros e as outras coisas.

por FJV, em 26.09.09

Ler um livro e voltar a lê-lo, não há coisa mais perfeita. Tirando tudo o que tem a ver com a vida que não pode repetir-se.

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Lembrando o Mário de Carvalho.

por FJV, em 26.09.09

As coisas que aprendes sobre o género humano quase nunca são sobre o género humano. São sobre o Manuel Germano.

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Daqui a nada.

por FJV, em 25.09.09

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Hoje, antes da meia-noite.

por FJV, em 25.09.09

 

É hoje, sexta-feira, o lançamento de 2666, de Roberto Bolaño – a partir das 23h00, na Livraria Ler Devagar (Lx Factory, em Alcântara, Lisboa).

O livro será posto à venda a partir da meia-noite, juntamente com uma tiragem especial, em papéis diferentes para cada caderno do livro (ou seja, nenhum exemplar destes 150 – que ficarão «fora de mercado» – será igual) e com uma sobrecapa.

Haverá margaritas, «acepipes mexicanos», shots de chili con carne e música (uma banda sonora com mariachis, corridos, polcas e boleros). E extractos do livro serão lidos por Soraia Chaves, Carla Bolito, António Pedro Vasconcelos, José Eduardo Agualusa, José Mário Silva, Tiago Gomes e Carlos Vaz Marques.

 

Depois da 01h30, a festa continuará no MusicBox, ao Cais do Sodré, com o DJ Irmao Lucia, que escolhe rock afinado por 2666.

 

 

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Desconfiar.

por FJV, em 24.09.09

O governo português decidiu, certamente por razões elevadas, apoiar Farouk Hosni para diretor-geral da Unesco. Esperava-se isso de toda a gente menos de Luís Amado, embora também não se esperasse de Luís Amado que fosse à Líbia abraçar um protetor e financiador do terrorismo. Os negócios a isso obrigam. Mas convinha sabermos que razões levam o nosso governo a apoiar para tão alto cargo de cultura um homem que prometeu queimar livros na biblioteca de Alexandria, censor encartado, mentiroso, além de cúmplice em várias prisões arbitrárias e ilegais. Enquanto o chefe da nossa diplomacia não prestar esclarecimentos públicos sobre as misteriosas razões deste surpreendente apoio a Farouk Hosni, temos não apenas o direito mas o dever de desconfiar dele. Há limites para quase tudo.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Blasfémias.

por FJV, em 22.09.09

Afinal, o mundo continua reconhecível.

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Língua.

por FJV, em 22.09.09

A propósito do Acordo Ortográfico, Miguel Sousa Tavares diz que “o Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz”. Sinceramente, não vem daí grande mal ao mundo. Portugal maltratou a sua língua durante anos e anos, desinteressando-se da sua gramática, do seu ensino e da sua correcção – além de pensar que se tratava de uma espécie de “doação” concessionada ao resto do mundo. Não é. A língua (ortografia incluída) é de quem a fala, de quem a usa e de quem a transforma diariamente. Se o Brasil tomou a dianteira, pergunte-se o que Portugal fez em prol da Língua, que agora parece ser “um bem estratégico”. E os escritores? Não lhes cabe, evidentemente, defender acordos ortográficos. Cabe-lhes escrever – bem, se possível.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Plano.

por FJV, em 21.09.09

 

Nos próximos dias, por aqui.

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Mais do que uma mudança.

por FJV, em 21.09.09

O mundo fica irreconhecível. Daqui a alguns anos esperamos o livro.

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Soaked Lamb: fantástico, digo-vos eu.

por FJV, em 21.09.09

 

Vi-os no sábado à noite, no lançamento do livro de Afonso Cruz, na Ler Devagar (Lx Factory), e acho que todos ficámos perplexos — com a simplicidade, qualidade do som, a voz (e a versatilidade de Afonso Cruz, claro, entre o banjo, o ukelele, o kantele, a guitarra e a harmónica). Corram a ouvi-los.

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Inteligência.

por FJV, em 21.09.09

Hans Magnus Enzensberger escreveu um livro intitulado O Labirinto da Inteligência. Guia para Idiotas. A primeira parte trata de analisar como a palavra ‘inteligência’ deixou de significar uma virtude humana para se transformar num termo relacionado com espionagem (de ‘intelligence’). Vale a pena ler todo o livro, que bem nos ajudará a compreender como as multidões podem ser ludibriadas – desde que com ‘inteligência’. Essa ‘inteligência’ é hoje mais valorizada do que a sensatez ou a honestidade, coisas da Idade Média e dos romances de cavalaria, anteriores ao D. Quixote. As campanhas eleitorais são um período especialmente fértil para recolher exemplos de distorção da inteligência. Qualquer burlão de antigamente seria mais apresentável do que os palradores em campanha.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Samuel Johnson.

por FJV, em 20.09.09

Por que razão Samuel Johnson é tão importante e por que se deve retirá-lo do limbo?

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