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When the deal goes down. Bob Dylan.

por FJV, em 30.08.09

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Citações.

por FJV, em 30.08.09

«Na verdade, é legítimo que um povo opte pela pobreza, desde que compreenda bem o sentido e as consequências do que vota. Não como nos encontramos hoje: com uma caricatura de democracia, baseada no engano das gentes e na estreiteza das competências, os portugueses arrastam-se ‘às cegas’ para um desastre, que não é desejado, nem pressentido.»

H. Medina Carreira, no CM.

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Uma posição mais futurista.

por FJV, em 30.08.09

José Sócrates é mais futurista?

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A mão casamenteira.

por FJV, em 30.08.09

Equiparar as uniões de facto ao casamento significa que não vale a pena optar pela união de facto. Casar é fácil e rápido; tal como o divórcio. Quem quer casar, pode fazê-lo. Quem quer união de facto, não quer casar-se. O Estado não pode é andar a casar as pessoas que não querem casar-se.

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Citações exemplares.

por FJV, em 30.08.09

«A partida do último regimento austríaco marcou a queda das ideias antigas: ariscar a vida passou a ser moda. Viu-se que para se ser feliz, após séculos de hipocrisia e de sensações insípidas, era preciso sentir uma paixão real por alguma coisa e saber expor a vida quando a ocasião se apresentasse. […] Derrubaram-lhes as estátuas e encontraram-se de repente inundados de luz.»

Stendhal, A Cartuxa de Parma

[Tradução de Adolfo Casais Monteiro]

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Noche triste de octubre, 1959.

por FJV, em 30.08.09

 

Definitivamente
parece confirmarse que este invierno
que viene, será duro.

 

Adelantaron
las lluvias, y el Gobierno,
reunido en consejo de ministros,
no se sabe si estudia a estas horas
el subsidio de paro
o el derecho al despido,
o si sencillamente, aislado en un océano,
se limita a esperar que la tormenta pase
y llegue el día, el día en que, por fin,
las cosas dejen de venir mal dadas.

[…]

Jaime Gil de Biedma

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Santa aliança.

por FJV, em 30.08.09

Vi de relance o presidente da Portucel esclarecer, diante das câmaras de televisão, num passeio pelos corredores de uma fábrica, que nunca houve primeiro-ministro como este. Estas profissões de fé são sempre cómicas. A aliança entre «os grandes empresários do regime» e «o regime» propriamente dito tem raízes sólidas na nossa história. Visitar a correspondência destes empresários e o senhor presidente do Conselho da época (entre os anos quarenta e os anos sessenta) revela um rol de lamechices e de oportunismos, de beatice tremenda. Para quem passou uma parte da vida a lutar contra o peso das grandes corporações na vida do país, e para quem lutou contra o excessivo peso do Estado na vida de todos os dias, os tempos vão maus: há uma santa aliança entre o Estado e as Corporações, entre os banqueiros e o governo, entre os ministérios e os empreiteiros. No meio, o cidadão alimenta com os seus impostos este matrimónio de conveniência a quem não basta a simples união de facto. Não. Com os impostos, o Estado fará maravilhas; as Corporações aliadas aproveitam a boleia.

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Modernidade.

por FJV, em 30.08.09

A ideologia da modernidade não passa de um emaranhado de mercearias avulsas. Para quem criticava o programa mínimo de MFL, não está mal. Mas a tentativa de dividir o país entre «nós e os maus» nunca deu bons resultados. Nem eleitorais. No século XIX, o melhor que este discurso produziu foram duas figuras inocentes e bisonhas: Júlio Dinis, pelo lado romântico (em Os Fidalgos da Casa Mourisca); o Conde de Abranhos, pelo lado cómico.

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Parque do Côa.

por FJV, em 30.08.09

Emílio Mesquita, que é o presidente da Câmara de Foz Côa, já aprendeu e já sabe ao que vem a «política do Parque do Côa»: «Quero que as pessoas venham ver as gravuras e não vão embora sem as ter visto, como sistematicamente tem acontecido", afirma o autarca, acrescentando: "Este ano fizeram-se 15 mil visitas, e 15 mil visitantes qualquer tasca os tem; perto disso tivemos nós nas exposições do nosso Centro Cultural."» Acontece, como ele sabe bem (e tem verificado desde que assumiu a tarefa), que a região é um deserto e que não há infraestruturas de apoio ao Parque. Pinto Ribeiro visitou Foz Côa e fez o habitual: anunciou o futuro. É o que tem feito: museus, parcerias, iniciativas que depois se esfumam. O problema que afecta o parque é este, basicamente: não existe. Por mais que Emílio Mesquita queira (e ele quer), a realidade não se muda em tão poucos anos. Durante cinquenta anos, a região foi usada para depois ser abandonada ao deserto que vem do Nordeste, célere, atropelando tudo o que sobrevive entre Miranda, Mogadouro, Felgar, Moncorvo. O Parque podia ser o início de um oásis? Podia. Mas morreu no meio da propaganda e da incúria. O museu do Côa custou 17,5 milhões de euros por alto – mas isso é só o princípio (foi gasto o triplo até hoje nas obras adjacentes). A questão é saber, agora, quem vai engordar o orçamento: se o Estado, se um departamento do Estado ou se uns cavalheiros dependentes do Estado. A região, essa, é a mesma – só que está em piores condições.

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O risco.

por FJV, em 30.08.09

Deus regressa com Saramago, no seu novo romance a publicar em Outubro. É um tema que levanta suspeitas – Saramago é ateu mas os seus livros supõem um sentimento religioso. Ao contrário de Richard Dawkins, por exemplo, que é ateísta militante e para quem a ideia de Deus não apenas é absurda como, ainda por cima, está na origem dos males do mundo. Saramago pode não andar longe, mas há um halo, uma respiração, um apelo do indizível e do invisível, os lugares onde Deus podia habitar: no meio do deserto ou na noite escura dos tempos, antes de os homens lhe terem emprestado o gene da crueldade e da vingança, e de se terem organizado em religiões rivais e exclusivas (“onde estou eu não podes estar tu”). Acontece que a ideia de Deus ou está em nenhuma parte ou em todo o lado.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Lester.

por FJV, em 30.08.09

Se houvesse música no céu, um dos seus intérpretes seria Lester Young, cujo centenário se cumpriu nesta quinta-feira. Lester é um dos grandes nomes do saxofone tenor (o meu jazz) e do clarinete, a quem Billie Holiday impôs a alcunha ‘O Presidente’, o maior de todos no saxofone. Fê-lo na sua banda e a acompanhar Miles Davis, Coleman Hawkins (um dos meus génios), Count Basie ou Nat King Cole – para além da grande Billie Holiday, claro, com quem apresentou uma versão belíssima de ‘Lady Sings The Blues’. Morreu cheio de álcool, mas a sua influência em músicos como Mingus, Charlie Parker ou Stan Getz e Dexter Gordon é definitiva. Ouvir o som de Lester Young é uma bênção. Aliás, quero que haja vida depois da morte porque gostava de ouvi-lo em Newport.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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