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Não vale a pena inventar.

por FJV, em 18.07.09

Empurrado por esta referência de Luís M. Jorge, relembro a perdida arte de comer em restaurantes. Actualmente, evito. Em casa, o essencial aproxima-se do perfeito. E já não é a minha profissão como há uns anos. Vou sempre aos mesmos lugares -- os novos já não me surpreendem. Atribuo o problema à idade, ao conformismo (já não apetece despedaçar as cadeiras desconfortáveis; gritar com os criados que se julgam atrevidotes, forcados do gosto, que recitam a ementa como se estivessem de serviço no Circo Cardinalli; mandar retirar a «redução de Porto com pétalas»; chamar a polícia ao verificar o preço de um vinho, etc.), à falta de paciência. Outro dia um grupo foi jantar, por €35 por cabeça: vinho mediano, um lombo grelhado com salada e batatas salteadas, tudo designações alteradas, rodeado de «gente nova» que comia salmão e bife tártaro e sentada em cadeiras impensáveis -- fiquei com vontade de pagar os mesmos €35 por uma mesa no Gambrinus, que ficava bem servido e tinha direito à excentricidade do café da casa, isto para não falar da paella do Ángel, dos peixinhos da horta que o Luís menciona, das sardinhas de escabeche do Palmeirinha, dos arrozes do Toscano. Há coisas que são assim desde que há restaurantes, não vale a pena inventar.

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