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Policiais.

por FJV, em 13.07.09

Estão aí os policiais vindos do frio e do norte da Europa, mas escolho dois vindos do Sul: um de Portugal, L. Ville, de Fernando Sobral; outro do México, Balas de Prata, de Élmer Mendoza. A sensação que tive ao ler L. Ville foi a de que não conhecia Lisboa; não conheço. A cidade transfigura-se com as memórias do detective de Sobral (Manuel da Rosa), um último romântico corrompido pelas memórias de Macau e de Lagos, na Nigéria, onde a vida vale pouco. Em Lisboa também vale cada vez menos; Sobral fala das sombras (há uma evocação clara da estatueta de jade, que pode ser de Dashiell Hammett), das ruas onde se pode comprar uma Kalashnikov, de um rosto oriental que atravessa a história de uma investigação a que a vida não empresta sentido nenhum.

E Élmer Mendoza. Mendoza é o talento puro para contar histórias; a narrativa é desordenada, cruzada, marcada pelo calor de México DF. Balas de Prata fala da cidade onde os mortos se acumulam (como em Bolaño, de certo modo), da sua inclinação por Cris, do narcotráfico e da rádio nocturna que se ouve nos carros sujos que atravessam Av. Insurgentes e avariam com o excesso de maus tratos. Ele é um investigador triste e solitário à maneira dos grandes mitos da literatura policial americana, dividido entre o seu desamor e as idas ao analista, entre as pequenas refeições nas roulottes da estrada de Cuernavaca e os personagens abandonados antes da morte.

 

Balas de Prata, de Élmer Mendoza, com tradução de Salvato Teles de Menezes, sai para as livrarias na próxima sexta-feira. Mendoza foi a principal fonte para Arturo Pérez-Reverte poder escrever A Rainha do Sul.

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Steiner.

por FJV, em 13.07.09

A Relógio d'Água acaba de reeditar Errata, de George Steiner, um livro maravilhoso sobre as interrogações, o estudo, a necessidade da cultura e da arte -- e sobre a a formação intelectual do próprio Steiner. Digamos que se trata da sua experiência autobiográfica. Escrevi «maravilhoso» porque se trata de uma palavra fora de moda, como as interrogações e as propostas do próprio Steiner.

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Resultados.

por FJV, em 13.07.09

Numa situação normal, os políticos não poderiam servir-se dos resultados dos exames por motivos estatísticos ou propagandísticos. Depois da pobre prestação da semana passada, acabo de ver na televisão um secretário de Estado elogiar as «menos negativas a Matemática» como se tivesse sido o próprio a prestar provas.

Adenda: e depois dá em perguntas como estas.

 

Aliás, uma das coisas que não se entendem é a contínua operação de propaganda do Ministério da Educação publicada como publicidade paga.

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Porquê ler os clássicos?

por FJV, em 13.07.09

Bruno Vieira do Amaral sobre uma questão crónica: «Diz que ler os clássicos não impede ninguém de ser um facínora, o que também se pode aplicar a beber chá, a dormir a sesta e a falar alemão (não sei se Hitler bebia chá e se dormia a sesta, mas tudo leva a crer que falava alemão). Devemos, então, ler os clássicos? Sim, mas não devemos esperar um reembolso se uns dias depois assassinarmos uma família de camponeses à sacholada.»

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Jeans.

por FJV, em 13.07.09

 

Crime punível pela lei.

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África.

por FJV, em 13.07.09

A pobreza, os regimes corruptos e as suas ditaduras africanas são muito úteis para as grandes corporações e a «diplomacia económica». Nesse conluio, as populações são um óbice e um pormenor. Por isso, os discursos de Obama sobre África marcam uma mudança na mensagem do Ocidente sobre o tema: África tem de deixar-se de lamúrias e aproveitar as oportunidades, aplicar bem os recursos e afastar os ditadores e os seus regimes militares. Não é assim tão fácil, mas Obama, que é negro, pode dizê-lo com à vontade e liberalidade. A moda da diplomacia económica, que tem a sua herança histórica, manda negociar com ditaduras em Tripoli, Luanda ou, se necessário, no Zimbabué. Obama veio relembrar o essencial – e que até aqui era criminoso dizer.

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