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Halterofilismo. [E, depois, a linguagem do comentador.]

por FJV, em 08.04.09

Amar Music é um halterofilista croata. Acaba de erguer 148 kgs; o comentador televisivo corrige-me logo e diz que é «levantar». O seu levantamento de 148 kgs, tendo aquele nome, não cessa de me surpreender; mas não tanto como os comentários à posição do joelho esquerdo de um halterofilista do Azerbaijão (apenas vi cicatrizes) que, no ano passado, esteve à pega com o seu eterno rival, um ucraniano que chegou ao estrado e levantou 150 kgs sem pestanejar. Estes senhores merecem um prémio. Passar uma hora a comentar os encontros de halterofilismo e a performance de atletas romenos, ucranianos, bielorrussos e croatas que em dez segundos erguem aquele semi-eixo de centena e meia de quilos, merece um prémio. Isso e comentários de curling.

 

 

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Adenda: Há, claro, o problema da linguagem. Paulo Tunhas desenvolve o tema aqui. O espectáculo transformou-se numa coisa mais fria e o comentário foi ocupado por especialistas a caminho do doutoramento numa matéria onde o ressentimento e a vigilância dominam completamente. Vou às estantes buscar nomes para contrariar: João Saldanha (acabo de ler Trauma da Bola: a Copa de 82), Valdano, Nelson Rodrigues, Mário Filho, Eduardo Galeano, Osvaldo Soriano, Carlos Drummond de Andrade (fabulosas crónicas de Quando é Dia de Futebol), Fernando Calazans, Roberto Damatta (A Bola Corre Mais Que os Homens) por aí fora. Relembro as magníficas biografias do Flamengo (de Ruy Castro), do Botafogo (de Sérgio Augusto), do Corinthians (de Olivetto), do Internacional (de Luis Fernando Verissimo), o mais hooliganesco dos tratados sobre o Grêmio de Porto Alegre (de Eduardo Bueno, o Peninha, que «fez» Bob Dylan sócio do time), do Fluminense (de Nelson Motta) ou do Santos (de José Roberto Torero), para além da fabulosa recolha de textos em Os Donos da Bola, feita pelo meu amigo Eduardo Coelho (onde estão Clarice Lispector, Chico Buarque, João Cabral de Melo Neto, Vinicius, etc.) -- e percebo por que razão não há tolerância na bola lusitana.

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A Língua.

por FJV, em 08.04.09

José Murilo de Carvalho, o autor vencedor da primeira edição do Prémio Leya, acha que «a Língua pode unir-nos muito mais do que a Literatura». Uma afirmação como esta faz o delírio dos distraídos e dos legisladores da cultura. Mas é grave, por muito que a figura de Murilo seja simpática (e é). Primeiro: se não for a Literatura a fixar a Língua, esta morre, como nos ensinam a história política e a filologia; depois, porque um escritor devia saber que a Língua, sem realização literária, é apenas um bom resíduo para acrescentar o lixo dos burocratas – é apenas um alfabeto sem vida. O que faz a grandeza do Português é ter sido a língua de Euclydes da Cunha, de Eça, de Machado de Assis, de Camilo, de Drummond ou de Vergílio Ferreira – não por ser usada por um director das Alfândegas.

[No Correio da Manhã.]

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Pessah.

por FJV, em 08.04.09

חג פסח כשר בשמח

לשנה הבאה בירושלים

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