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Para quem se lembra de Wilson Simonal.

por FJV, em 10.03.09


O rei do suíngue.

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Aprende a escrever.

por FJV, em 10.03.09

«Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos.»

Das regras do computador Magalhães.

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«Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões.»

por FJV, em 10.03.09

De MBC, do Ordem Espontânea, nos comentários ao post anterior:

 

No meio de toda esta euforia com as novas tecnologias, que o Primeiro-Ministro se encarregou de apresentar, como o grande salto em frente da sociedade portuguesa, parece que toda gente se esqueceu de perguntar o óbvio. Será aconselhável que crianças no primeiro ciclo do ensino básico tenham acesso a computadores na sala de aula?
Em Agosto, na Atlantic, Nicholas Carr, escreveu um artigo que tem causado grande controvérsia, chamado “Is Google Making Us Stupid?”. O mesmo artigo vem mencionado num artigo do Expresso, de 30 de Agosto. Defende o autor que a internet pode estar a afectar o nosso cérebro e a forma como raciocinamos. Da sociedade da informação nasceu um novo tipo de leitores: mais contemplativos e menos interpretativos. Um dos problemas que vários especialistas apontam ao uso intensivo da internet é a cada vez maior dificuldade de concentração que as pessoas expostas ao seu uso adquirem. Esta questão tornam-se ainda mais pertinente quando a questão é a exposição intensiva de crianças à internet.


Para mim, que nasci na década de 80, este ponto é especialmente importante. Na minha geração são já muito poucas as pessoas com verdadeiros hábitos de leitura, e isso também se traduz numa linguagem, e numa escrita cada vez mais pobre, que frequentemente os professores, em especial no ensino universitário se queixam. Faço parte da geração que começou a usar a calculadora muito precocemente, porque os pedagogos das ciências da educação achavam que só trazia vantagens. Hoje, no entanto, são cada vez mais os que clamam pelo regresso aos "velhinhos" métodos da matemática. Quanto a mim, hoje, à semelhança da maior parte dos jovens da minha geração, com muita vergonha minha, não faço uma conta de dividir sem recurso a uma calculadora.
Felizmente para mim, no que diz respeito às ciências humanas, ainda houve muito boa gente a mostrar-me que nada podia substituir o contacto directo e por vezes até doloroso com os livros. Mas quantos professores universitários, mesmo na área das ciências humanas, não encontram diariamente na minha geração, inúmeros alunos aos quais se lhes pedissem uma mera lista dos dez livros que mais gostaram de ler, estes não eram capazes de a preencher, e não por falta de memória, mas porque nem dez livros dignos de registo leram. E como é óbvio citar a Floresta, Ulisses ou a Mensagem, lidos no básico, não é motivo para menor embaraço.
Ernestine, uma professora das “antigas”, personagem do romance de Philip Roth, a Mancha Humana, num dos seus diálogos dizia: «No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender com isto, portanto alguma coisa está errada nisto. E há especialmente alguma coisa errada no mau professor que quer ensinar tal matéria. Deixou de haver critérios, Mr. Zuckerman, para só haver opiniões

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É «absolutamente maravilhoso» que as crianças usem o computador.

por FJV, em 10.03.09

Desta vez não posso concordar com o Tomás Vasques a propósito da frase de António Barreto na LER de Março. Barreto refere-se ao Magalhães como corolário de um sistema de ensino anti-livresco (eu sou pelo ensino com uma boa componente livresca), o que não põe em causa a educação tecnológica (que, aliás, já existia antes do Magalhães). A culpa não é do Magalhães; simplesmente, o Magalhães faz parte do sistema ideológico e da campanha de propaganda de uma nova escola que não existe. Não se trata de denegrir a «iniciação à informática, às tecnologias, ao quotidiano», que é fundamental. Ninguém (e olha quem, o António Barreto) quer continuar a escrever em «imaculadas folhas A/4»; ninguém quer desqualificar os portugueses. O problema não é a distribuição do Magalhães às criancinhas, mas o computador ser apresentado como a grande solução para o atraso endémico e visceral do sistema de ensino. O problema do sistema de ensino é (além da vergonha de falar claramente sobre o que se ensina e sobre os disparates das reformas educativas) é a demissão quase absoluta do governo em matéria educacional propriamente dita. Pode pensar-se que é «absolutamente maravilhoso» que as crianças usem o computador para fazer pesquisa (como?, em que sites?) ou para se iniciarem «na vida interactiva», ou até para escreverem seja lá o que for. O problema, caro Tomás, é que as pessoas que debatem este assunto têm medo de assumir que é preciso reintroduzir na vida da escola palavras certamente antigas, mas valiosas, como leitura ou estudo. A desvalorização que se está a fazer da leitura (depois da perseguição à filosofia) nas nossas escolas é assombrosa e será catastrófica daqui a uns anos. E o Magalhães, pobre Magalhães, não salva a face do monstro.

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