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Medina Carreira.

por FJV, em 09.03.09

Eu gosto de velhos, gosto de gente mais velha. Mas esta é apenas uma das razões por que a entrevista de Medina Carreira, esta noite, não se pode perder. Cada frase, eu assino. Não, e não é pessimismo: é a necessidade de parar -- e de recuperar coisas como educação, rigor, seriedade, disciplina, exemplo.

 

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O cantinho do hooligan. Já não vale a pena driblar; a canelada vai mais ao ponto.

por FJV, em 09.03.09

O João Querido Manha acha que o FC Porto foi beneficiado pelo Leixões no jogo de anteontem. Não referiu que o Benfica começou a ganhar, na semana passada, justamente com um auto-golo de um jogador do Leixões. Eu acho que ele tem razão, a culpa é do FC Porto.

Rui Santos acha que os jogadores do Leixões não se defenderam como deviam, só para deixar ganhar o FC Porto, acha que há viciação de resultados e que o FC Porto vai pagar os salários em atraso aos jogadores do Leixões, etc. Eu acho que ele tem razão. O Benfica ganhou com a marcação de uma falta que não existia (além de o árbitro ter deixado passar um penálti a favor da Naval), mas acho que a culpa é do FC Porto.

Eu concordo com este pessoal. Eles têm razão, caramba. Não lhes bastava terem talento, ainda por cima têm razão. Tem de se pedir a intervenção do Estado para que resolva isto de uma vez por todas e atribua o título por via administrativa, lá por Julho ou Agosto.

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Toma!

por FJV, em 09.03.09

 

Ainda a propósito deste post, lançamento de Pastoral Portuguesa, de Rogério Casanova, no dia 31 de Março (não, não é a 1 de Abril) na Fnac do Chiado. Toma.

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O cantinho do hooligan. Os calções.

por FJV, em 09.03.09

À atenção de Jesualdo Ferreira e do roupeiro do FC Porto: está estatisticamente provado que Helton não serve frangos na baliza quando usa calções; o mal está, como se vê, quando usa calças de fato-de-treino. Estão à espera de quê?

Outra nota estatística da maior relevância: Mariano González, que é o único futebolista em serviço na Liga portuguesa com corte de cabelo à empregado de mesa do Tortoni, nunca mais marcou um golo desde que deixou de usar chuteiras pretas, as clássicas chuteiras pretas, aquele modelo sério dos futebolistas de outros tempos. Estão à espera de quê?

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Afinal, quem tem medo de Rogério Casanova? (Ou, Finalmente um retrato do artista enquanto crítico)

por FJV, em 09.03.09

Foto de grupo à saída do jantar.

 

Ninguém ia imaginar que Rogério Casanova fosse um dos primeiros a chegar; ainda por cima ele tinha conseguido escapar aos outros jantares de A Seita, realizados como sempre no restaurante A Licorista (Rua dos Sapateiros, 218-220). A maior parte do grupo tinha descido o Chiado (o encontro, como sempre, na esquina da Rua Nova do Almada com paragem na Férin para ver os livros da montra, e passar depressa diante da redacção do Sol). A vantagem dos jantares da Seita é que não há tema oficial, se bem que haja sempre quem recorde que Manuel Alegre também não foi ao congresso de Espinho e que não foi por isso que se deixou de falar dele. Ementa a propósito (tirando a obsessão – nenhum de nós a conhecia – de Casanova pelo bacalhau com grão; há quem diga que ele tem os cardápios de dezenas de restaurantes tradicionais lisboetas para que possa transitar de uns para outros, mantendo o bacalhau com grão como prato do dia; nunca imaginei que um leitor de James Wood tivesse essas inclinações gastronómicas, à excepção dos almoços com o Maradona no Atrium Saldanha): pastéis de bacalhau, bacalhau com natas (sim, houve uns traidores...), uma costeleta de novilho pantagruélica (uma pessoa vê caras e não vê corações), saladas de polvo, e não reparei se havia ou não iscas à portuguesa, que o João Pombeiro pedia encarecidamente ao empregado de mesa, com o aplauso de Vítor Paulino e de Rui Penedo, os designers do grupo (RPVP SA), mantidos ao largo. No grupo havia dois adeptos benfiquistas e Casanova ameaçou dançar flamenco sobre as mesas (há quem garanta que dançou mesmo, mas na ocasião vim para a rua fumar) para tripudiar Quique Flores, garantindo que tripudiar significa «saltar ou dançar batendo com os pés; sapatear, etc.». O Irmão Lúcia fez três desenhos de Isabel Coutinho (que consultou sete vezes o iPhone em busca de novidades do twitter), Helena Ramos comentou duas badanas igualmente criticáveis de livros de Nora Roberts, José Mário Silva recordou o jogo mais recente do Sporting na Liga dos Campeões, Paulo Ferreira roubava grãos ao bacalhau com grão de Casanova, que ofereceu a todos o pratinho com alho e cebola picada (Nuno Seabra Lopes ameaçou sair do restaurante se ele não parasse com a brincadeira). O resumo do jantar não ficaria completo se não referisse um quizz de bibliografia esotérica que Rogério Casanova ganhou à tangente a Sérgio Coelho (que se revelou um conhecedor muito razoável de Madame Blavatsky), e a que Sara Figueiredo Costa se furtou com o argumento de que tinha de ir consultar o iBook por causa de umas apostas sobre o acordo ortográfico (quem tinha o iBook era Isabel Coutinho). Ao ouvir mencionar a palavra «apostas», Casanova murmurou qualquer coisa indecifrável e de que só se percebeu a repetição, cadenciada, de «Updike, Updike, Updike». No final, Casanova irritou-se com José Mário Silva por causa da geografia das Hébridas, argumentando que o Doutor Johnson («We, authors.») detestava viagens («The greater part of travellers tell nothing, because their method of travelling supplies them with nothing to be told.») o que levou Margarida Ferra a recordar «eu bem te dizia, eu bem te dizia» enquanto folheava o cardápio da sobremesa (havia um doce «tipo toucinho do céu» que ganhou por nove-cinco). No final, quem quis fumar teve de vir para a rua. Rogério Casanova foi abordado por duas vezes por cidadãs suíças (havia uma convenção algures) que lhe pediam cigarros, e ele recomendou-lhes que fossem ao Animatógrafo do Rossio onde haveria Peter Stuyvesant de contrabando (não havia, caso contrário eu saberia), enquanto discutia com Pedro Vieira (o Irmão Lúcia) a sua participação em vários blogs em simultâneo; Vieira suplicava-lhe que fosse à Almedina do Saldanha dar autógrafos, mas sem resultado. No final, a meio da R. do Ouro, subi as escadinhas de Santa Justa (citando Cesário Verde: «Voltemos. Na ribeira abundam as ramagens/ dos olivais escuros. Onde irás?/ Regressam os rebanhos das pastagens;/ ondeiam milhos, nuvens e miragens,/ e, silencioso, eu fico para trás») e o grupo continuou na direcção contrária, ouvindo-se a voz de Casanova ameaçando espatifar a montra da Livraria Petrony. O meu editor bem me avisou – que me deixe de blogs e que comece a escrever. Mal ele sabe. Afinal, quem tem medo de Rogério Casanova? Olhem para ele, ali à direita, que parece saído de um seminário na Católica (há quem diga «saído de uma lecture em Glásgua»).

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E, por falar nisso.

por FJV, em 09.03.09

E, por falar neste livro (Locus Amoenus (Antología de la Lírica Medieval de la Península Ibérica), um início de um poema de Ausiàs March, a minha descoberta mais recente. Não interessa não ler catalão; sigam o som, é belíssimo:

 

«Veles e vents han mos desigs complir,

fahent camins duptosos per la mar.

Mestre y ponent contra d'ells veig armar;

xaloch, levant los deuen subvenir

ab lurs amichs lo grech e lo migjorn,

fent humils prechs al vent tremuntanal

qu'en son bufar los sia parcial

e que tots cinch complesquen mon retorn [...]»

 

Tradução a partir da versão de Jenaro Talens: «Velas e ventos cumpram os meus desejos/ seguindo os incertos caminhos do mar./ O Poente e o Mistral erguem-se contra eles;/ ajudará o Siroco e o Levante,/ com os seus amigos, o Gregal e o Sul,/ pedindo humildemente à Tramontana/ que o seu sopro lhes seja favorável,/ e assim, os cinco, favoreçam o meu regresso.»

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Quinta frase, pág. 161.

por FJV, em 09.03.09

Em resposta ao Pedro Correia, aqui está o texto da página 161 do livro que tenho mais à mão nestes dias:

 

«Mis preocupaciones arrojan mi corazón,/ como una vela a la nave – en un día de tormenta – impulsa./ Está escrito en el libro de Dios que vague/ Mi alma, que deambule por todos los países./ Todo el que fue condenado a vagar, habrá de vagabundear/ como Caín, y de huir, como Jonás.»

 

Não é a quinta frase, que não existe, mas é toda a página 161: um poema de Samuel ibn Nagrella ha-Nagid (933-1056), poeta e comentador do Talmude, nagid das comunidades sefardis. Viveu no Andaluz, naturalmente. O poema faz parte da magnífica antologia Locus Amoenus (Antología de la Lírica Medieval de la Península Ibérica), organizada por Carlos Alvar e Jenaro Talens (edição espanhola, Galaxia Gutenberg), que transcreve as várias tradições linguísticas da Península: latim, árabe, hebraico, moçárabe, provençal, galaico-português, castelhano e catalão.

 

O desafio segue, agora, para o Filipe Nunes Vicente, Manuel Jorge Marmelo, Tomás Vasques, José Mário Silva e Rui Bebiano.

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