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Notícias do bloqueio, 4.

por FJV, em 28.02.09

Edmundo Pedro foi ao congresso falar mas, no Público, esclarece o que quis dizer sobre isso do medo no PS. Afinal, eu tinha razão. Não era medo de falar; era medo de perder o emprego ou o cargo político para que se tinha sido nomeado: «Se é medo de "perder o emprego", talvez aconteça que o emprego tenha sido oferecido em troca de silêncio (regra de ouro do sistema "job for the boys"), e deve (num rasgo de coragem pessoal, muito admirável) denunciar-se publicamente, mesmo se se perder o emprego.» Nisso, parece-me, há regras: ai foi um cargo de nomeação política?, ai foi uma direcção-geral porque era do partido? Pois, aí admito que haja medo, sim; mas é bem feito. Não se pode ser «desempregado da política» (a expressão, ingénua e deliciosa, é do próprio Edmundo Pedro), aceitar o job for the boy e, depois, pregar partidinhas ao chefe. Por isso é que, de vez em quando, se fala em homens livres. Mas só de vez em quando; e esses não têm medo.

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Notícias do bloqueio, 3.

por FJV, em 28.02.09

Não sei o que esperavam de um congresso, mas essa comparação com a Coreia do Norte, as brincadeiras com «o querido líder», a evocação do PCUS ou da Albânia, são, em linguagem comum, descabidas; um congresso em ano de eleições é aquilo -- a preparação para a guerra. As televisões transmitem, mas pode-se mudar de canal. Debate de ideias num congresso, vi pouco. Há quem evoque os congressos do PSD como epicentros de debate ideológico; nunca vi ideias -- só umas arengas de Santana Lopes e de Durão Barroso, pouco mais, pela madrugada dentro, com os jornalistas aos pulos a dizer que era o regresso da política. Debate de ideias não é para o congresso. Não há tempo. É preciso contar votos, elaborar listas, cumprir a agenda. As ideias são um luxo num congresso partidário. Não entram lá. Basta ver o ar de Jaime Gama, contrariado, cumpridor.

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Notícias do bloqueio, 2.

por FJV, em 28.02.09

Tirando aqueles que acham que Sócrates esteve bem, esteve ao ataque (considerações muito semelhantes a uns comentários logo depois do debate Soares/Cavaco que iniciou a descida de Soares aos infernos -- Soares teria «ganho» o debate, teria «arrasado», pode ir ver-se ao arquivo da TSF dessa noite), o que me pareceu é que Sócrates esteve à defesa. À defesa contra o país inteiro, mesmo aquela parte do país que -- tendencialmente -- pode votar nele. O mais desagradável num político é o seu tom absoluto, a desvalorização e tentativa de criminalização de tudo o resto. Isso pode ser interessante para os que acham que um político deve estar ao ataque. O ataque aos jornais e aos directores dos jornais pareceu-me ridículo. O ataque à campanha negra é ainda mais absurdo. De repente, lembro a mini-entrevista de Filomena Mónica ao Expresso deste fim-de-semana quando lhe pedem para nomear um político sexy; ela diz que não vê nenhum porque os políticos, quando chegam , só pensam no poder -- e que isso não é sexy. O discurso de Sócrates esteve à defesa. À defesa do poder. Pode ser interessante para quem gosta do género; mas não deixa de ser apenas isso: um aviso aos fracos.

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Notícias do bloqueio, 1.

por FJV, em 28.02.09

Um congressista do PS acaba de dizer que «não é normal um cão querer acasalar com outro cão». Estou à espera de reacções, mas ainda ninguém lhe chamou homofóbico. Será que vamos ter uma campanha negra?

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